Puma: o esportivo mais charmoso do Brasil nasceu na nossa região

23.09.2015
Puma: o esportivo mais charmoso do Brasil nasceu na nossa região

Desenhado e desenvolvido por Rino Malzoni em Matão, o Puma conquistou o mundo

Se os anos 50 ficaram marcados pela chegada da indústria automobilística no País, o início da década seguinte marcou a popularização do automóvel no Brasil, e o grande salto passou pela mobilização das montadoras nacionais no sentido de organizar provas e competições por ruas e pistas em praticamente todo o território nacional. O interesse principal era promover seus carros, e colocar os modernos automóveis em competições seria a prova definitiva da qualidade do produto.

Então Willys, FNM, Simca e Vemag se apressaram em montar seus departamentos de competições, e o Brasil assistiu extasiado grandes pegas entre os melhores pilotos da época. Araraquara, e a Revista Cidade já publicou a matéria nas edições 2 e 3, também faz parte da história, e organizou dois Circuitos Automobílisticos (1962 e 1963), com provas sendo realizadas nas Avenidas Bento de Abreu e 36.

Foi no auge desse movimento, mais precisamente do ano de 1964, que Jorge Lettry, chefe de departamento de competições da Vemag, trocou idéias com Rino Malzoni- amante de automóveis, especialista na criação de carrocerias esportivas para mecânicas da época e fazendeiro na vizinha cidade de Matão - e sugeriu a criação de um carro com características esportivas, e bom o bastante para competições.

Nasceu daí o Puma, primeiro carro fora-de-série produzido do Brasil. Feito em fibra de vidro, era equipado com motor Vemag (dos DKW). Suas linhas lembravam a Ferrari e o primeiro deles já nasceu destinado às competições. Após grande sucesso nas pistas, o Puma ganhou as ruas, conquistando especialmente o público jovem.

Sonho de consumo de toda uma geração, o carro vendeu 125 unidades em 1967, e caminhava para ganhar ainda mais mercado, porém, mudanças no cenário automobilístico brasileiro começaram a ocorrer, o controle acionário da Vemag passou para a Volkswagen, e os DKWs deixaram de ser produzidos.

Puma VW

Com isso a Puma precisou escolher um outro conjunto mecânico para seus modelos, e a escolha recaiu sobre o conjunto motor/câmbio/suspensão e plataforma do Karmann Ghia 1500. Afinal era uma mecânica confiável e com grande rede de assistência técnica.

O novo carro foi desenvolvido em te,po recorde e apresentado à diretoria da Volks em março de 1968, quando então foi lançado lançado no mercado o GT 1500. Era uma carroceria moderna e inspirada na Lamborghini Miura. Continuava um carro leve (640kg), e custava o mesmo que dois Fuscas.

Sucesso absoluto desde o início de sua produção, o carro vendeu 151 unidades em 1968, saltando para 272 veículos no ano seguinte. Com linhas agressivas e modernas, o Puma agradava bastante os olhos, mas equipado com um motor de 60cv, tinha fraco desempenho, o que não deixava de ser uma decepção para um carro com suas características. Foi aí, então, que a Puma começou a fabricar modelos com motores de maior cilindrada (até1800).

Sucesso no exterior

Em 1970 o carro foi exposto pela primeira vez em um evento internacional, em Sevilha, na Espanha, e logo ganhou admiradores. Tempos depois, em 1976 quando a plataforma do Karmann Ghia parou de ser usada, a Puma passou a montar seus carros em cima da  estrutura da Brasília, adotando novos comandos de válvulas(P1, P2 e P3) e câmbio com relações mais curtas.

O período marcou o auge da Puma, que já havia adotado o motor 1600 de série, fazendo sucesso no exterior - o carro começou a ser exportado em 1969 -, e abrindo as portas de Países da Europa, América do Sul e Estados Unidos.

Diante dos novos desafios a Puma lançou o GTE - especialmente para exportação -, que possuía qualidade melhor, com novas lanternas traseiras, lavador de pára-brisas, ventilação e opção de motores (1600 ou 1800) com dupla carburação (32 ou 40), além dos comandos P1, P2 e P3. O rádio e medidor de pressão do óleo também surgiram.

Os modelos destinados a exportação contavam ainda com pisca alerta e duplo circuito de freios. E para se ter uma ideia melhor de como o carrinho foi bem lá fora, basta ver os números das exportações: no primeiro ano, em 1969,  20 unidades foram vendidas para o exterior, contra 15 em 1970, 3, em 1971, 59 em 1972, 401 em 1973, 13 em 1974, 11 em 1975, 28 em 1976, 174 em 1977, 44 em 1978, 110 em 1979 e 157 em 1980.

Conversível

Lançado no VII Salão do Automóvel, no ano de 1970, o primeiro modelo conversível foi apresentado com o nome de GTS (Spider), era o mesmo carro que o fechado, porém com reforços estruturais e capota flexível. Opcionalmente poderia ser equipado com capota removível de fibra de vidro. Preenchendo uma lacuna deixada no mercado pelo Karmann Ghia e pelo Interlagos conversíveis, o Puma GTS agradou bastante.

 Apesar de seu preço situar-se entre o do Opala SS e do Dodge ChargerRT, pouco tempo depois de seu lançamento surgiram filas de interessados na compra do GTS. Essa foi por sinal, durante muito tempo, uma condição para aqueles que desejavam comprar um Puma. Durante a década de 70, no mercado de usados os pumas eram os modelos com mais alto índice de valorização.

Puma Chevrolet

Surgido em 1971, o Puma Chevrolet possuía uma carroceria de fibra de vidro maior que o dos outros, e foi montado um motor de 6 cilindros Chevrolet 3800cc. O carro foi a solução da Puma para conquistar espaço entre os Opalas e Dodges esportivos da época.

A versão definitiva, totalmente diferente do protótipo, e com o mesmo motor Chevrolet, porém com 4100cc, foi apresentado no Salão do Automóvel de 1972. esse modelo entrou em fabricação regular apenas em 1974 e era um dos carros mais caros do Brasil. Seu principal concorrente era o Maverick GT, equipado com motor 8 cc canadense.

O fim

No fim dos anos 70 começou o declínio da Puma. Apesar das vendas continuarem boas a empresa começou a passar por sérios problemas financeiros, mas mesmo assim, idealizou e lançou um novo modelo em 1980. Era o P-018, que nada mais era do que um GTE reformado que usava suspensão da Variant II. Somente 28 modelos do carro foram vendidos entre 81 e 84.

E foi em 1984, quando a produção chegou a 100 unidades (56 GTB, 32 GTC, 4 GTI, 6 P-018 e 2 Modelos desmontados para exportação) que a Puma, bastante endividada, pediu concordata e suspendeu a produção.

Os carrinhos, porém, continuaram sendo fabricados por mais alguns anos por duas diferentes empresas - primeiro pela Araucária Veículos, e depois pela Alfa Metais -, mas entre 86 e 89 somente 36 carros foram montados e os Puma deixaram o mercado definitivamente.

Revista Cidade

Publicidade

Brasil