Pedaços da história - Lei Cadillac e Ao lado do Mercado

31.08.2016
Pedaços da história - Lei Cadillac e Ao lado do Mercado

Lei Cadillac

No final dos anos 50 os jornais noticiaram que um certo diplomata servia-se de suas imunidades para desembarcar automóveis sem pagar direitos alfandegários e depois os vendia com grande lucro.

A operação ocorria por ocasião das constantes viagens a seu país que, por obrigação do cargo, ele tinha  que realizar. Fez escola.Não demorou muito e os senadores e deputados aprovaram uma lei que os excluía da proibição de importar carros para uso próprio. Chamou-se a “Lei Cadillac”.

Boa parte deles,porém, passou a importá-los para revenda e, mais uma vez a imprensa, sempre vigilante, entrou em ação denunciando o abuso dos parlamentares.

Deu tanto “barulho” que nas eleições seguintes houve quem usasse o slogan, “Não importou cadillacs”, como se o fato de não o terem feito pudesse ser apresentado como indicativo de honestidade.

Esperamos não ser obrigados a ver repetidas tais cenas na campanha municipal, com candidatos se apresentando como exemplos de honestidade e citanto obscenidades que só a política é capaz de produzir.

 

Ao lado do mercado

Anos 60. Criança ainda tinha como uma de minhas diversões acompanhar os “homens estranhos” que volta e meia apareciam na parte “de baixo” do Mercado Municipal, onde hoje fica o Ponto de Táxi, diante do Terminal de Integração.

Os “homens estranhos” chegavam carregados de enormes sacos, depositavam tudo no chão e antes de se apresentarem a um sedendo e curioso público - que acorria em bando para o local quando eles chegavam -, desenvolviam lentos rituais, que como todos assistiam quietos e respeitosamente, até porque ninguém entendia o significado daquilo tudo.

Lembro bem de um desses homens. Trazia uma série de coisas penduradas no corpo com barbantes e couro. O “bumbo” vinha às costas, preso por uma tira de couro. Amarrada ao braço, voltada para trás, estava uma espécie de baqueta, que batia no “bumbo” com o movimento do cotovelo.

Os “pratos” ficavam por cima, e eram acionados pelo mesmo movimento do braço, do qual saía o barbante, que passava por uma haste de madeira no topo do “bumbo”.

Movido o braço, o barbante levantava o “prato”, afrouxando o barbante, o “prato” caía e batia de encontro ao outro. Um instrumento de sopro e uma flauta, amarrados juntos, eram soprados alternadamente.

A gaita de fole era “bombeada” com o pé. O triângulo ressoava ao toque da haste metálica, com a mão que na “bagunça” generalizada estivesse disponível. Na cabeça, o homem trazia uma espécie de coroa ou “capacete” de guizos que produziam vários sons e, sacudindo a cabeça com diferentes movimentos, obtinha o som desejado.

Tudo isso de forma incompreensivelmente sincronizada. Depois corria o “pires” para a multidão boquiaberta.

Texto, pesquisa:
Hamilton Mendes

 

Revista Cidade

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