A Caixa do Tempo perdida

10.07.2015
A Caixa do Tempo perdida

Em 27 de janeiro de 1952, diretores da EFA lançaram a Pedra Fundamental das piscinas da Ferroviária, e no evento lacraram uma “Caixa do Tempo”, com fotos, jornais e documentos no local. Será que ela ainda está lá?

Hamilton Mendes

Inaugurado em um grande evento no dia 9 de abril de 1954 - prestigiado inclusive pela presença do governador do Estado, professor Lucas Nogueira Garcez - o Conjunto de Piscinas da Ferroviária – hoje, da municipalizada Arena da Fonte -, foi construído em cima do que havia de melhor em tecnologia esportiva na época, e era considerado um dos mais completos do País.

Ainda dando os primeiros passos de sua gloriosa história, a Ferroviária estava prestes a completar quatro anos de fundação (12 de abril de 1950), e não tinha uma equipe de natação montada e preparada para competições. Com três piscinas de causar inveja a qualquer clube brasileiro (inclusive uma Olímpica, com trampolins de 3 a 10 metros – só havia um similar no Brasil), ela precisava de nadadores.

Isso, porém, não foi problema, já que famílias de muitos atletas da equipe de natação do Clube Araraquarense também se associaram a AFE, o que reforçou o novo time que se montava. Nos outros esportes a Ferroviária pôde contar com muita gente boa revelada pelo notório Departamento de Educação Física (que funcionava onde era o Industrial, hoje Etec).

O desafio

Mas havia um grande desafio para todos os jovens que participaram da inauguração do conjunto de piscinas. Quem teria coragem suficiente para ser o primeiro a pular do trampolim de 10 metros? E assim que os portões foram liberados, muita gente subiu. Mas, ninguém pulava.

O primeiro que se lançou no ar foi um rapaz que trabalhava na “Farmácia Noturna”, localizada em frente à igreja Matriz (nos anos 70 propriedade da família Iost), de apelido “Teca” (quem souber o nome, nos avise). O rapaz era um conceituado goleiro de futebol de salão que disputava os torneios da Liga Araraquarense de Futebol de Salão (LAF), primeira liga da categoria criada no mundo - pelo saudoso jornalista Sidnei Shiavon, pai do nosso amigo, também jornalista, Roberto Schiavon.

Foi um delírio. E logo depois, o mais tarde, professor de Odontologia da Unesp, Norberto Catanzaro Guimarães, o Tula, também se lançou, o que rompeu com os “receios” e puxou a fila. Tula era filho secretário da EFA, senhor Trifônio Guimarães, homem de confiança do diretor da Companhia na época da construção das piscinas, Dr. Oswaldo Santana de Almeida.

A Caixa do tempo

Porém, a grande novidade que toda a festa protagonizada por aqueles araraquarenses dos anos 50 traz, agora, para nossa geração, aconteceu na verdade dois anos antes da inauguração das piscinas. Mais exatamente no dia 27 de janeiro de 1952, data em que diretores da EFA, autoridades, esportistas e jornalistas participaram de um evento em que se lançou a Pedra Fundamental do conjunto aquático.

Presidido pelo Dr. Oswaldo Santana de Almeida, o evento foi marcado pelo fechamento de uma Caixa do Tempo em um terreno ao lado de onde as construções se realizariam. Presente a cerimônia, o hoje engenheiro aposentado Antônio Guimarães Neto, o Tito – na época um garoto de 14 anos – se recorda bem do momento.

“Eles discursaram, e ao final alguns operários lacraram um buraco no chão, onde havia uma caixa de alvenaria em que foram depositadas moedas, jornais, fotos, e alguns papéis e documentos assinados. A caixa era pra ser aberta anos depois, mas não sei dizer os detalhes. Gostaria muito de saber onde foi parar essa caixa”, revelou Tito, hoje radicado na cidade de Santos, à reportagem da Revista Cidade.

Revista Cidade

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