Show do Pó de Café vai da música caipira ao jazz contemporâneo

26.04.2018
Show do Pó de Café vai da música caipira ao jazz contemporâneo

Grupo comemora 10 anos de estrada com a gravação do seu terceiro CD, que traz releituras de canções sertanejas clássicas e composições inéditas inspiradas no universo da música caipira do interior paulista.

Na próxima sexta-feira é possível conferir no palco do Sesc Araraquara, o novo trabalho do Pó de Café, “Terra”, disco que une o universo da música caipira ao jazz contemporâneo. O álbum é o terceiro gravado pelo grupo ribeirão-pretano, que se apresenta no espaço Garimpo, às 20 horas, com entrada franca.

Releituras de canções sertanejas, como Rio de Lágrimas e Tristeza do Jeca, além de composições autorais inéditas inspiradas nas melodias do campo e na música caipira do interior paulista compõem o repertório inovador do Pó de Café. Formado pelos músicos Bruno Barbosa (contrabaixo), Rubinho Antunes (trompete), Duda Lazarini (bateria), Murilo Barbosa (piano) e Marcelo Toledo (saxofone), o grupo comemora seus 10 anos de existência com inventividade e liberdade criativa.

“Terra” conta com a participação especial do violeiro Ricardo Matsuda, acostumado a viajar com o fraseado da tradicional viola caipira por diferentes paisagens sonoras, e com a presença do percussionista Neto Braz, constante colaborador do Pó de Café, que acentua ainda mais com sua linguagem de terreiro o som “afrojazzcaipira” do disco. O contrabaixista Bruno Barbosa, produtor do disco, conta que o trabalho nasceu do desafio de unir universos musicais aparentemente tão distintos. “Não é muito comum ouvirmos temas tradicionais do cancioneiro sertanejo no ambiente de improvisação do jazz e da música instrumental contemporânea”, avalia.

Se no disco anterior “Amérika”, o grupo mergulhou na pesquisa de diferentes fusões do jazz com ritmos africanos e caribenhos, no CD Terra o olhar se volta para as trilhas e estradas de terra do interior de São Paulo, que desembocam nas melancólicas melodias e também na riqueza percussiva da música caipira.  O disco instiga e desafia os ouvidos acostumados às clássicas interpretações do cancioneiro raiz. O trabalho não se esgota na simples releitura. Desconcerta com suas mudanças rítmicas, harmônicas e abusa da liberdade, esse sotaque natural do jazz.  O pianista Murilo Barbosa destaca que o ponto de partida para criar as versões foi o de explorar a força melódica dessa música de raiz dentro do universo livre e criativo da improvisação. É possível notar influencias das harmonias de Toninho Horta e também do free jazz de Ornette Coleman misturadas ao cateretê, à toada e ao pagode caipira.

O CD conta com cinco releituras e quatro composições inéditas inspiradas nas melodias do campo. Abre com o hino “Rei do gado”, de Teddy Vieira, em versão que ecoa o canto de Tião Carreiro e Pardinho, transformando o causo sertanejo em uma espécie mantra de boas-vindas. No decorrer do álbum, surgem também a já citada “Rio de lágrimas”, de Piraci, Tião Carreiro e Lourival dos Santos, e clássicos como “Tristeza de Jeca”, de Angelino Oliveira e uma surpreendente “O menino da porteira”, de Teddy Vieira e Luiz Raimundo. Essa última tocada apenas com o baixo de Bruno Barbosa. Ainda há espaço para canções esquecidas como as duas releituras de “A juriti” e “Toada de samba”, da precursora dupla Mariano e Caçula, formada nos anos 1920, e que fizeram parte da A Turma Caipira do pioneiro Cornélio Pires.  O material inédito composto especialmente para o projeto completa o disco. São a faixa-título “Terra”, de Rubinho Antunes, “Moda Menor”, de Murilo Barbosa, “Adeus, chapéu de palha”, de Bruno Barbosa e “Caipira Coffee”, de Ricardo Matsuda.

O CD Terra foi gravado com o apoio do ProAc (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo) e está disponível para ser ouvido nas principais plataformas digitais de música, como Spotify, Rdio, iTunes, ONErpm, Deezer e Amazon.

 

Serviço

Show “Terra” – Grupo Pó de Café

Dia: 27/4, sexta

Horário: 20h

Local: Garimpo

Classificação: Livre

Grátis

Revista Cidade

Publicidade

Brasil