Reencontrando o campeão

10.07.2015
Reencontrando o campeão

Mais de 50 anos depois de vencer o Circuito Automobilístico de Araraquara, um dos maiores pilotos da história do automobilismo nacional se reencontra com a cidade

Hamilton Mendes

Contada pela Revista Cidade, em sua 2ª edição (Janeiro/fevereiro), a história do I e do II Circuitos Automobilísticos de Araraquara, disputados nas Avenidas Bento de Abreu e 36 nos anos de 1962 e 1963, rendeu uma grande e agradabilíssima surpresa a todos nós, da redação. É que há poucos dias tivemos a alegria (e a honra) de receber um e-mail, onde uma moça - que se identificou como Juliana - perguntava como poderia adquirir 10 exemplares da revista, porque nela havia uma matéria citando o “senhor Mário Cesar de Camargo Filho, e ele gostaria de receber mais algumas”.

Foi um choque (de alegria). Mário Cesar de Camargo Filho é nada mais, nada menos, do que o maior piloto de fábrica da história da DKW em todo o mundo, e “rasgou” autódromos e circuitos de rua pelo Brasil dos anos 60, ganhando quase tudo e construindo uma reputação irretocável no meio automobilístico nacional. Radicado na cidade de Ourinhos, Marinho tinha recebido uma revista, e queria mais.

Amigo do lendário Rino Malzoni, de Matão, Marinho pilotou alguns dos mais conhecidos bólidos fabricados por ele, disputou em 1962 e 1963 os dois Circuitos Automobilísticos de Araraquara, e venceu nas duas oportunidades. O caso, é que o fez pilotando sua lendária DKW nº 10 com inscrições da revenda DKW de Araraquara. Ou seja: para os araraquarenses de então, Marinho pilotou pela cidade – e venceu.

Amigo e companheiro de pista de uma geração brilhante de pilotos brasileiros, Marinho dividiu curvas com gente do porte de Emerson e Wilsinho Fittipaldi, José Carlos Pace, Bird Clemente (seu companheiro de equipe), Camilo Cristófaro, Jan Balder, dentre outros. E venceu a todos com muita regularidade.

Especialista em circuito de rua, Marinho também era osso duro de roer nos circuitos regulares da época, vencendo as mais importantes provas brasileiras de então, muitas delas disputadas no antigo traçado de Interlagos. Foi lá, inclusive, que o piloto escreveu boa parte da história do automobilismo nacional, pilotando, inclusive bólidos construídos pelos Malzoni, em Matão (os Malzoni chegaram a abrir uma oficina em Araraquara, onde também construíram um carro).

No final dos anos 60, ainda no auge da carreira, Marinho decidiu abandonar as pistas se instalando no sul do estado, na cidade de Ourinhos, onde reside até os dias de hoje. O motivo: ele já estava casado, e com quatro filhos.

Ícone de uma geração de grandes pilotos brasileiros, Mário Cesar de Camargo Filho é reverenciado até hoje nos eventos que se realizam pelo País com o intuito de resgatar a história do automobilismo brasileiro.

Em contato telefônico com Marinho e sua família, decidimos não enviar os 10 exemplares da edição nº 2 da revista Cidade para Ourinhos. Nós vamos até lá. Levaremos também tantos outros da edição nº 5, em uma singela homenagem ao piloto que emocionou Araraquara há mais de 50 anos, ao vencer, carregando o nome da cidade, e por dois anos consecutivos as principais provas dos Circuitos Automobilísticos disputados na Bento de Abreu e na Avenida 36. 

 

Revista Cidade

Publicidade

Brasil