A fantástica história do automobilismo no Brasil

10.07.2015
A fantástica história do automobilismo no Brasil

O começo de tudo. Das curvas do Circuito da Gávea, para Interlagos, Brasília, Piracicaba e Araraquara

HM

A realização dos grandes eventos automobilísticos no país teve início no ano de 1933 com a inauguração, no Rio de Janeiro, do Circuito da Gávea. O trajeto, de rua, saía da Praia do Leblon, seguia pela Avenida Niemeyer, passava por uma gruta, subia e descia alguns morros, inclusive onde, hoje, é a Favela da Rocinha, até voltar ao Leblon.

No total, eram 12 quilômetros e 50 curvas, algumas tão fechadas quanto se pode imaginar uma curva fechada. O piso era, literalmente, misto: asfalto, concreto e paralelepípedos delimitados por trilhos de Bonde.

Parte do trajeto era coisa de maluco: uma das curvas tinha o nome de “Trampolim do Diabo”, e o trecho da Avenida Niemeyer, beirava um precipício de 30 metros rente ao mar. Os carros que já alcançavam, na época, absurdos 300 km/h nas retas, tinham um parco efeito aerodinâmico, suspensões primitivas e freios que dariam calafrios nos melhores pilotos dos tempos atuais.

O público, sempre entusiasmado, assistia as provas das calçadas. Não havia, sequer, um cordão de isolamento. O evento ficou tão importante, que pouco tempo depois passou a atrair alguns dos maiores pilotos europeus. Quatro anos depois, em 1937, as calçadas do Leblon estavam abarrotadas de gente. Na pista, ou melhor, na rua, alguns dos maiores ases do mundo estavam alinhados para a largada.

No meio deles, ao volante de um dos Alfa, “gentilmente” cedidos pelos italianos após generosa interferência financeira do Presidente Getúlio Vargas, estava o italiano Carlo Pintacuda. Ao seu lado, no Grid, o Auto Union do alemão Hans Stuck, um dos maiores pilotos da época. Foi uma prova dramática.

Respeitadíssimo da Europa, Pintacuda já era conhecido no Brasil, e como corria com um carro “brasileiro”, tinha toda a torcida ao seu lado. Pouco mais de 279 quilômetros depois, percorridos em 3 horas e 22 minutos, Pintacuda cruzou a linha de chegada 8 segundos a frente de Stuck. Foi um delírio. A partir de então, “Pintacuda” passou a ser sinônimo de velocidade entre nós e, definitivamente, as corridas de carro viraram febre no Brasil.

Uma prova especial

Doze anos depois, no GP de Bari de 1949, na Itália, o Brasil entrou de uma vez por todas na mapa no automobilismo mundial. Tido como um marco na história do automobilismo de competição, o GP de Bari daquele ano transformou um brasileiro em lenda. Depois de uma atuação espetacular, Chico Landi, um dos mais promissores pilotos do período, obteve uma vitória inesquecível.

Landi pilotou uma Ferrari que trazia em seu chassi a numeração 0004. Foi a 1ª vitória de um carro totalmente projetado pelo comendador Enzo Ferrari na história. Também foi a 1ª vitória de um piloto brasileiro em uma prova internacional no exterior, e com um detalhe bastante significativo: se ela tivesse ocorrido poucos meses depois teria sido a primeira de um brasileiro na Formula-1, já que o 1º. Mundial da categoria foi disputado, oficialmente, em 1950.

Anos 50 e 60

Na primeira década da história da F-1, quatro foram os pilotos brasileiros que se aventuraram pela categoria. E sem qualquer respaldo financeiro, nenhum deles teve chance de vitória: Chico Landi, Hermano Silva Ramos, Gino Bianco e Fritz D’Orey tiveram 20 participações da F1, no total.

D’Orey prometia muito, mas perdeu a vida em um acidente nas 24 de Lê Mans de 1960, o que foi um grande choque para os pilotos em atividade no Brasil e que, literalmente, construíam o automobilismo de competição no País.      

Na época – início da instalação da indústria automobilística brasileira -, os abnegados e apaixonados pela velocidade se uniram para viabilizar competições de alto nível no País.  E tudo ficou mais fácil com o apoio de algumas das principais montadoras do período, mais notadamente da DW e da Willys, além, claro, do trabalho de geniais empresários, como os Malzoni (de Matão) -, que literalmente construíram carros de competição e saíram desbravando pistas (muitas delas de rua), pelo Brasil.

No meio deles, Mário Cesar de Camargo Filho, o imbatível piloto das DKWs nº 10. E o mais importante tudo: Araraquara fez parte da história...

 

Revista Cidade

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