Mary e os monstros marinhos fala sobre o universo da ciência e da pré-história no Teatrada

20.10.2018
 Mary e os monstros marinhos fala sobre o universo da ciência e da pré-história no Teatrada

Depois dos sucessos “Histórias por Telefone” (APCA de Melhor Espetáculo e Direção e Femsa de Melhor Direção) e “A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília” (APCA de Melhor Elenco e Prêmio São Paulo de Melhor Cenário e Figurino), a Cia. Delas de Teatro volta aos palcos com a nova montagem. Dirigida por Rhena de Faria, a peça conta a história de Mary Anning, famosa paleontóloga que viveu na Inglaterra no início do século XIX

De família pobre, Mary Anning começou a trabalhar com apenas 12 anos. Ela sobreviveu a tempestades e enfrentou perigosos deslizamentos de terra para fazer grandes descobertas. Estudou anatomia dissecando répteis em sua cozinha e assim foi capaz de remontar o primeiro esqueleto de um ictiossauro (um gigante monstro marinho da época dos dinossauros!). Sua história, até então difundida apenas no meio acadêmico, ganha os palcos em MARY E OS MONSTROS MARINHOS.

O Sesc Araraquara apresenta esta produção da Companhia Delas de Teatro no próximo domingo (21), às 11h30, compondo o Projeto Teatrada. Os ingressos para assistir ao espetáculo variam de gratuitos a R$10 e podem ser retirados no Sesc, no próprio dia, a partir das 9h30. Mary e os Monstros Marinhos reúne uma linda história de vida e o universo da ciência,  cheio de poesia, que inspira meninas e meninos a sonharem com novas descobertas e novos mundos de infinitas possibilidades.

O espetáculo, contemplado ao final de 2017 pela seleção de projetos para o 22o Cultura Inglesa Festival 2018, tem dramaturgia original construída a quatro mãos - da diretora Rhena de Faria e das atrizes e integrantes da Companhia Delas Cecília Magalhães, Julia Ianina e Thaís Medeiros. A direção de arte é de Mira Haar, a iluminação de Wagner Freire e a trilha sonora original de Artur Decloedt. A equipe conta ainda com a consultoria do Prof. Dr. Luiz Eduardo Anelli, do Instituto de Geociências da USP.

A construção do texto se deu de forma colaborativa, a partir de muitos estudos e improvisações. A presença de “monstros marinhos” no título aponta uma escolha dramatúrgica: a relação da protagonista com os fósseis, elementos de uma história verídica, misturando-se com a relação imaginária da protagonista com os animas pré-históricos. A encenação e o texto revelam virtudes da protagonista como a curiosidade, a inteligência, a coragem e a perseverança, mostrando que a personagem em posse destas virtudes triunfa sobre as suas dificuldades. A peça dá à protagonista o inevitável êxito que lhe foi conferido pós-morte mostrando aos espectadores a importância de seu legado para as gerações posteriores e o reconhecimento nos meios acadêmicos de que suas descobertas constituem alguns dos achados geológicos mais essenciais para conhecermos a história da Terra.

As atrizes Cecília Magalhães, Julia Ianina e Thaís Medeiros se revezam no papel de Mary Anning representando as três fases da personagem: criança, jovem e adulta - além dos outros 14 personagens que interagem com a protagonista ao longo de sua jornada. Os figurinos assinados pela sempre talentosa Mira Haar apontam uma unidade entre os trajes vestidos por Mary criança e aqueles vestidos por ela já em sua fase jovem e adulta, dando à personagem uma identidade particular. Mira Haar também assina o cenário e os adereços do espetáculo, criando um diálogo preciso entre todos os elementos. O cenário é minimalista propondo um forro à caixa cênica, como forma de dar destaque à exuberância dos adereços cuidadosamente trabalhados além de sugerir a coloração arenosa das praias e montanhas.

A iluminação de Wagner Freire é essencial na construção desse espaço cênico que se alterna entre os espaços abertos (praias e penhascos) e os ambientes internos (Sociedade Geológica, a casa de Mary Anning, etc), além de ajudar a desenhar a passagem do tempo e das estações do ano. A história se desenvolve quase sempre em ambientes abertos e naturais, como praias e rochedos, sendo verão quando Anning vende fósseis aos turistas e inverno a época em que ocorrem os principais deslizamentos de terra que revelam os fósseis. A iluminação traz cores e vibrações novas a cada cena, compondo e valorizando os elementos de cenário e adereços. Focos de luz também são recorrentes para representar a solidão da personagem.

A trilha sonora cinematográfica de Arthur Decloedt completa o clima de realismo fantástico do espetáculo. Com timbres e sonoridades que evocam o maravilhoso mundo pré-histórico aliados a melodias de piano que nos transportam para a Inglaterra do século XIX.

 

Ladies, first!

Em geral, quando se pensa num cientista a primeira imagem que vem à cabeça é um homem, de pele e cabelos brancos, talvez um pouco descabelado. O estereótipo seria uma mistura de Albert Einsten e de "Doc" Brown, personagem de Christopher Lloyd em “De volta para o futuro”. Numa busca rápida no google por “cientistas importantes”, várias listas aparecem. Nelas, entre os mais citados estão: Albert Einstein, Isaac Newton, Charles Darwin, Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Antoine Laurent Lavoisier entre outros – homens.

Pouquíssimas mulheres figuram essas listas e, consequentemente, o imaginário coletivo reflete e reforça a presença quase inexistente das mulheres na ciência. Mas não é bem assim. A despeito de toda a falta de incentivo, de espaço e reconhecimento para mulheres na ciência, numa busca um pouco mais apurada encontraremos grandes nomes, grandes descobertas e além de tudo, grandes histórias de vida. Marie Curie, Rita Levi-Montalcini, Rosalind Franklin, Maria Mayer, Jane Goodall, dentre tantas outras, são mulheres que enfrentaram, além dos próprios desafios de suas profissões, as limitações de ser mulher num ambiente majoritariamente masculino.

Muitas delas somente tiveram suas descobertas reconhecidas depois de mortas, frequentemente foram impedidas de ingressar a universidade, tiveram seus nomes excluídos de artigos científicos, de premiações e assim por diante. Mary Anning foi uma delas. De família pobre, sem acesso a educação formal, Mary começou a trabalhar ainda pequena. Sua vida parece reunir uma série de peripécias digna de um conto de fadas. Mas nessa fábula da vida real, a princesa é uma cientista, que enfrenta os obstáculos com inteligência, coragem e determinação.

A vida de Mary Anning fascina crianças e adultos. Em sua história as atrizes encontraram inspiração para este que será o 11o espetáculo da Companhia Delas: uma peça sobre uma mulher de um tempo passado, contada por mulheres de hoje, para nossas meninas e meninos, que vão construir os novos tempos que virão.

 

COMPANHIA DELAS DE TEATRO

A Companhia Delas de Teatro é um grupo de produção e pesquisa teatral criado em 2001. Formado apenas por atrizes, são elas as idealizadoras, produtoras e coordenadoras de todo o processo de criação de seus trabalhos. Com 10 espetáculos em seu repertório, a Compahia já trabalhou sob a direção artística de Silvana Garcia, Eric Lenate, Nelson Baskerville, Carla Candiotto, Mira Haar, Ana Roxo, Marco Antonio Rodrigues, entre outros.

Dentre seus espetáculos infantis estão “Quase de Verdade”, baseado na obra de Clarice Lispector (Prêmio APCA 2001 de Melhor Espetáculo adaptado e Prêmio Coca-cola de Revelação pra a Companhia Delas de Teatro); “Histórias por Telefone”, a partir do livro de Giani Rodari (APCA 2011 de Melhor Espetáculo; Prêmio APCA 2011 de Melhor Direção e Prêmio Coca-Cola FEMSA 2011 de Melhor Direção para Carla Candiotto) e “A  famosa invasão dos ursos na Sicília”, inspirado no romance homônimo de Dino Buzzati (Prêmio APCA 2014 de Melhor Elenco de espetáculo infantil; Prêmio São Paulo de Melhor Figurino para Mira Haar e Melhor Cenário para Marco Lima).

 

Serviço

Espetáculo Mary e os Monstros Marinhos

Dia: 21/10, domingo

Horário: 11h30

Local: Teatro

Classificação: Livre

 

Ingressos:

R$ Grátis (Credencial Plena);

R$ 5,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante);

R$ 10,00(Inteira / Credencial Atividades).

Retirada de ingressos a partir das 9h30 do dia do espetáculo.

 

 

Revista Cidade

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