Show celebra os 60 anos do disco Kind of Blue, obra de jazz mais vendida da história

09.05.2019
Show celebra os 60 anos do disco Kind of Blue, obra de jazz mais vendida da história

Rubinho Antunes (trompete), Marcelo Toledo (saxofone tenor), Vanderlei Henrique (saxofone alto), Murilo Barbosa (piano), Bruno Barbosa (contrabaixo) e Duda Lazarini (bateria), formam o Pó de Café, grupo que sobe ao palco do Sesc Araraquara na próxima sexta-feira (10), às 20 horas, para homenagear os 60 anos de lançamento do disco "Kind of Blue", do trompetista Miles Davis.

Ao longo da apresentação, o convidado Reinaldo Figueiredo, jornalista e radialista, comenta sobre a importância das composições e suas influências sobre o pensamento jazzístico, mostrando curiosidades e informações sobre um dos discos mais emblemáticos da história. No repertório, as canções So What, Freddie Freeloader, Blue in Green, All Blue, Flamenco Sketches, Milestones e Seven Steps to Heaven, além de algumas obras que sucederam essa fase do artista.

Apesar de trazer uma inovadora abordagem harmônica e sonoridades estranhas ao jazz da época, o disco teve grande aceitação do público e é reconhecidamente um marco na história do gênero.  

 

Kind of blue e o jazz modal

1959 foi um ano em que os lançamentos do mercado fonográfico mostravam que o jazz abria um grande leque de possibilidades e expressões musicais – ondas sonoras que ainda ecoam em 2019 e moldaram o espírito aventureiro e indomável do gênero. São cinco os discos que apresentavam o jazz como uma força musical em plena expansão, rompendo barreiras entre tradição e vanguarda, derrubando diferenças entre o popular e o erudito, desconstruindo o próprio jeito de tocar e ouvir: “Free Jazz” (Ornette Coleman), “Giant Steps” (John Coltrane), “Time Out” (Dave Brubeck Quartet), “Portrait in Jazz” (Bill Evans Trio) e o mais impactante de todos – “Kind of Blue”, do trompetista e criador musical Miles Davis.

Miles compôs especialmente para o disco peças que tinham como característica principal o fato de se construírem em torno de apenas um ou dois acordes. Ao invés de dezenas de progressões de acordes se revezando – como era padrão no bebop –, Miles elegeu escalas (aqui chamadas de modos) para ancorar suas composições. Levou as partituras direto para o estúdio no dia da gravação, e deu alguns poucos direcionamentos para os outros músicos – profissionais que já tocavam com ele há tempos, com a adição do pianista mais “cool” do momento, Bill Evans. Para Evans, Miles deu algumas indicações de como deveria tocar os acordes, mas apenas uma direção, uma sonoridade, e deixou que o “novato” criasse harmonias que seguissem sua inspiração.

O resultado é um disco introspectivo, onde cada músico buscou dentro de si os recursos para improvisar com tão poucos acordes e melodias contidas nas partituras, mas muito fluido e dinâmico, pois cada um se deixou levar pelas sedosas e densas notas esboçadas no papel e criou solos férteis e inovadores. Como resultado, foram vendidos ao longo dos anos mais de 4 milhões de cópias apenas nos EUA – maior vendagem de um álbum de jazz.

 

Serviço

Grupo Pó de Café toca Kind of Blue

Dia: 10/5, sexta-feira

Horário: 20h

Local: Garimpo

Classificação: Livre

Grátis

Revista Cidade

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