Semana Luís Antonio Martinez Corrêa: dez dias de imersão cênica

11.06.2018
Semana Luís Antonio Martinez Corrêa: dez dias de imersão cênica

Programação reúne espetáculos, oficina, exposição fotográfica, encontro com artistas, Pocket Show, inauguração de memorial, festa junina e Sessão Maldita

Sob o tema “30 anos de arte e resistência”, a Semana Luís Antonio Martinez Corrêa – Festival de Teatro chega à sua 30ª edição com uma programação que se estende de 14 a 24 de junho, com uma série de apresentações e atividades cênicas gratuitas.

Realizada pela Secretaria Municipal da Cultura e Fundart, com o apoio do Sesc Araraquara e Sesi Araraquara, a programação reúne espetáculos, oficina, exposição fotográfica, encontro com artistas, Pocket Show, inauguração de memorial, festa junina e Sessão Maldita. Os espetáculos reúnem artistas de Araraquara e de fora da cidade, com grupos cênicos e artistas convidados ou selecionados por editais.

Toda a programação é gratuita. Os ingressos devem ser retirados nos locais da apresentação, uma hora antes do início. Para os espetáculos no SESI é necessário conferir a disponibilidade de ingressos ou fazer a reserva virtual.

 

Abertura, dia 14 -  O ator Gero Camilo abre a programação com o espetáculo “A Procissão” na Praça Pedro de Toledo, na quinta-feira, 14 de junho, numa realização do Sesc Araraquara. Antes da apresentação, às 19h30, será realizada a abertura oficial da Semana Luís Antonio. “A Procissão” mostra a trajetória de romeiros que seguem sua caminhada em busca da sobrevivência e da fé e resgata um teatro onde o ator é a peça essencial, revelado na simplicidade cênica e na eloquência dos contadores de história.

 

Dia 15 – "O Mascate de Swaffham", com o Grupo Ciranda Rodamundo, abre a programação da sexta-feira (15), às 19 horas, no CEU das Artes, apresentando a história de John Chapman, mascate inglês, que ouve uma voz em um sonho que o leva a empreender uma jornada de muitas descobertas.

Depois, às 21 horas, o grupo de teatro Menino Andante apresenta “Hecatombe”, no Teatro Wallace Leal. Refugiados em um bosque, Alexander e Mateo – em choque entre o real e o ideal - buscam no isolamento o resgate de suas utopias, já que sofrem com a hierarquia e a brutalidade do mundo.

 

Dia 16 - No sábado (16), às 10 horas, o grupo Promoart realiza a intervenção cênica “De volta ao básico”, na Praça Santos Dumont (em frente à Casa da Cultura). Neste resgate cultural, os atores estão caracterizados como “personagens-espectros” da década de 50, perdidos no ano de 2018 e abordam os transeuntes com a proposta de resgatar a memória sobre Wallace Leal e o teatro homônimo.

À tarde, às 14 horas, tem oficina “Voz e corpo, da fala ao canto”, com Wender Campi, na Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira. O músico da Companhia de Teatro Atores em Conserva realizará exercícios específicos para o treinamento do ator criador, visando à consciência corporal e vocal, ferramenta para o processo criativo. As inscrições estão abertas na Casa da Cultura Luís Antonio Martinez Corrêa.

A Cia. de Teatro Atores em Conserva, às 19 horas, apresenta “Devaneios Poéticos em Cenas de Agreste”, na Escola Municipal de Dança. Escrita por Newton Moreno, a peça retrata o amor incondicional entre duas pessoas e, por consequência, o ódio de uma sociedade intransigente e preconceituosa.

A programação do sábado se encerra com a Sessão Maldita, às 22 horas, no Teatro Wallace Leal, onde será apresentado "[H3O]mens", com a Cia. 4 pra Nada. O espetáculo parte do encontro de três bailarinos/atores em cena, na investigação do corpo como suporte de qualquer discurso.

 

Dia 17 – "A Ciranda do Villa", com Cia. Lúdicos de Teatro Popular, é atração na manhã do domingo, às 11h30, no Sesc Araraquara e conta a história do garoto Tuhu – apelido dado a Heitor Villa-Lobos em sua infância e que significa “labareda” em tupi. Ao se inspirar em mitos da cultura brasileira, Tuhu descobre a sua musicalidade, fato que mais tarde se tornou realidade na vida desse grande compositor da música brasileira

À noite a programação se volta para o Teatro Wallace Leal, onde será apresentado, às 19 horas, “Quatro lirismos: da ruína do clássico ao vigor do novo” . O Grupo Catanza de Teatro da UNESP constrói um submundo, no qual pedaços de personagens, perdidos nas ruínas, vivem as angústias da transição entre o velho e o novo.

 

Dia 18 – A Casa da Cultura Luís Antonio Martinez Corrêa recebe as duas atividades da segunda-feira, 18 de junho: a cena curta “Espelho” e a exposição fotográfica "Homofobia Fora de Moda", em parceria com o Museu da Diversidade.

“Espelho”, com Ligia Maria e Mariana Ruiz, será apresentado às 19 horas e questiona qual é o limite de uma mulher que sofre violência doméstica. Ela passa a duvidar de sua sanidade mental e se vê em um conflito entre sua moral ou sua sobrevivência.

Na sequência, às 19h30, será realizada a abertura da exposição fotográfica "Homofobia Fora de Moda". As imagens foram selecionadas a partir de três concursos e foram expostas ao público na comemoração do aniversário de três anos do Museu da Diversidade Sexual, a fim de estabelecer uma cooperação entre o poder público e a indústria da moda para a promoção da cidadania da população LGBT e o enfrentamento da discriminação sofrida por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

 

Dia 19 – Na terça-feira a programação se concentra na antiga Estação Ferroviária: às 19h30 tem “Vestidas de Preto”, com MelaMinas; e às 20 horas tem “Um Concerto Cabaret”, com Cida Moreira.

Vita Pereira, Allydi e Isabela Lima formam as MelaMinas. Em “Vestidas de Preto” abordam - através de performance, dança, pintura corporal, música e poesia - questões sobre o racismo e a maneira como essas violências atingem e marcam.

A atriz, pianista e cantora Cida Moreira traz novamente seu brilho para a Semana Luís Antonio e desta chega com “Aos que estão por vir - um concerto cabaré”. O concerto narra estórias, com crônicas que falam dos excluídos, dos menos afortunados, mais conscientes e mágicos talvez, porque sabem do estranhamento que os consome.

 

Dia 20 – "Tonico e Mimosa: A saga de uma família caipira", com GUTE (Grupo Urutau de Teatro Experimental) é destaque na EMEF Hermínio Pagotto - Assentamento Bela Vista, às 15 horas. A peça - inspirada no filme “Santo Antônio e a Vaca” dirigido por Wallace Leal Valentin Rodrigues - conta a saga de uma família que sobrevive às agruras da vida e salvaguarda a simplicidade e riqueza da cultura caipira transmitida de geração a geração.

“O Mascate de Swafham", com Grupo Ciranda Rodamundo, volta à programação, às 19 horas, com apresentação no Teatro Wallace Lela Valentim Rodrigues.

 

Dia 21 – Na quinta-feira, "Tonico e Mimosa: A saga de uma família caipira" retorna à cena na EMEF Maria de Lourdes S. Prado – Assentamento Monte Alegre, às 15 horas.

O espetáculo “KORI IPE IPE KORI” chega na programação noturna, com apresentação às 19h30 no SESI Araraquara, na Vila Xavier. A montagem discute a função artística e coloca em cena o processo teatral em busca do menino que fomos. O espetáculo é uma busca pela materialização do processo criativo e evidencia sua continuidade para além da peça.

Também à noite, às 21 horas, no Teatro Wallace Leal, Eleonora Ducerisier apresenta "Antígona Revis(i)tada e a violência do não-ser”. O monólogo ressalta uma reflexão sobre os direitos humanos, o direito à vida e a necessidade de sobreviver à opressão.

 

Dia 22 – “Sínthia” abre a agenda da sexta, no SESI Araraquara, na Vila Xavier, às 19 horas. O espetáculo da Velha Companhia, com direção do premiado Kiko Marques, discute temas como a ditadura, identidade de gênero e como a vida pessoal é determinada pela convivência social. A peça é uma reflexão sobre aquilo que se tem como certo e errado e as razões pela qual mata-se o desconhecido.

Eleonora Ducerisier reapresenta "Antígona Revis(i)tada e a violência do não-ser”, às 21 horas,  no Teatro Wallace Leal.

 

Dia 23 – Um “Encontro com artistas” está programado para as 15 horas do sábado, no Teatro Wallace Leal. A ideia é retomar as raízes desse encontro anual que ocorre desde 1988, iniciado pela Associação Pau de Arara, num momento de resistência e luta pela arte em Araraquara. Neste encontro, o objetivo é fazer um resgate da história da Semana, assim como compreender a importância e a luta juntamente com artistas que ajudaram nessa construção.

Às 19 horas, “Sínthia” será apresentado novamente do SESI Araraquara, na Vila Xavier.

Sábado se encerra com um Pocket Show no Teatro Wallace Leal, a partir das 23h59. O músico Alex Lima é a atração do evento, que terá a apresentação do espetáculo “Feito na Hora”, com a Cia. Improvisoria de Teatro. Neste espetáculo de jogos de improvisação os atores-jogadores criam cenas improvisadas na hora sem nenhuma combinação prévia, a partir dos desafios dados pelo mestre de cerimônias e as sugestões escritas e faladas pelo público, que passa a ser co-autor das cenas criadas.

 

Dia 24 – A programação se encerra no domingo, dia 24, na Casa da Cultura, onde a partir das 19 horas acontece uma Festa Junina. A inauguração do Memorial Luís Antonio abre as atividades. Em homenagem ao patrono da Casa da Cultura de Araraquara e em comemoração aos 30 anos de realização da Semana Luís Antonio Martinez Corrêa, a Prefeitura Municipal inaugura o Memorial Luís Antonio, com o intuito de oferecer aos artistas um espaço para conhecer um pouco mais da história do artista que marcou e fez história no teatro brasileiro.

A Festa Junina continua com diversas apresentações na quadra da Casa da Cultura, com destaque para o espetáculo “Aí vem o Cururu”, com a Cia. Doutores Dapavirada. O ator Denis Pimentta, na pele de seu palhaço Cururu, interage com a plateia, improvisa brincadeiras, usa gags tradicionais, declama poemas criados na hora, executa números de mágica e joga com o que acontecer na plateia no momento.

 

Revista Cidade

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