Araraquarense Caê Rolfsen lança novo disco, A Nave de Odé. Leia entrevista exclusiva

19.08.2016
Araraquarense Caê Rolfsen lança novo disco, A Nave de Odé. Leia entrevista exclusiva

Filho da Morada do Sol, o músico Caê Rolfsen ganhou o mundo. Porém, foi aqui que começou sua caminhada dentro do universo da arte. Ainda criança, em um mix de riffs extremos da banda americana de thrash metal Slayer com a música popular brasileira (muito por conta das rodas de samba que seu pai promovia), começou a tocar violão e outros instrumentos.

Aos treze anos, começou a rabiscar suas próprias canções e logo decidiu-se profissionalizar. Estudou violão no renomado Conservatório de Tatuí. Depois, mudou-se para a capital, onde se graduou em Música pela FASM.E por lá, fixou âncora há uma década. E o barulho e a correria peculiar da capital paulista, entre uma estação de metrô e outra, foi a inspiração de seu primeiro Cd solo, 'Estação Sé', em 2012.

Um ano antes, Rolfsen foi vencedor da categoria de melhor álbum de samba no XXII Prêmio da Música Brasileira, com disco o "Gafieira São Paulo", no qual atua como produtor, arranjador e cantor. Assim, em meio a trilha sonoras para cinema e tevê, trabalhos como produtor e arranjador musical, o artista dá vida ao seu segundo disco, "A Nave de Odé", que é inspirado na figura mitológica do orixá Odé, arqueiro caçador e guardião e traz influência da música brasileira, africana e jamaicana.

E o show de divulgação deste material é neste sábado (20/08), às 20h, no Teatro do Sesc Araraquara. No palco, ele tem a companhia de Gil Duarte (trombone e flauta), Meno Del Picchia (baixo), Bruno Prado (percussão e sampler) e Sergio Machado (bateria) para um repertório essencialmente autoral. O cantor Liniker também faz uma pontinha em certo momento da apresentação.As entradas custam R$ 6 para associados, R$ 10 meia e R$ 20 inteira.

Para saber mais sobre seu atual momento artístico, a Revista Cidade bateu um rápido bate papo com o artista, que nos atendeu gentilmente entre uma gravação e outra. Leia o que rolou logo abaixo:

Revista Cidade - 'A Nave de Odé' está sendo ovacionado pelo público. O que ele tem de tão especial?

Caê Rolfsen - Toda criação acaba sendo um processo de auto conhecimento. Acho que o que torna cada disco singular e especial é o seu processo desde a criação até a sua produção.

Nunca começo um disco sabendo exatamente o que ele é ou como ele vai soar depois de pronto. O processo durante a sua feitura é que vai nos revelando e indicando os possíveis caminhos que percorremos.

“A nave de Odé” teve um processo muito orgânico e expontâneo de criação ( compus o repertório entre abril e junho de 2015, e gravamos o disco entre agosto e setembro) que me fez reencontrar a guitarra, meu primeiro instrumento na adolescência, e experimentar fusões da canção brasileira com este universo harmônico mais circular e pentatônico da música da África Ocidental que se esparramou pelas Américas e pelo Caribe.

Revista Cidade - O conceito dele também é bem peculiar. Assim como vimos em 'Estação Sé', a sonoridade deste disco é rica, fugindo dos famosos rótulos, certo?

Caê Rolfsen - Como conceito, essa idéia da nave apareceu nas letras representando aquilo que pode ser uma ponte espiritual entre o ser humano e o mistério que há além da vida mundana e a figura de Oxóssi (Odé, “caçador” em yorubá) como uma representação dessa conexão com as forças natureza e com a mitologia africana.

Essa figura do arqueiro é uma entidade que permeia a mitologia de muitas culturas ancestrais, como a figura de Arjuna, no livro épico hindú “Bhagavad- Guitá” ou a deusa grega Ártemis, irmã gêmea de Apolo.

De alguma maneira, o disco traz elementos documentais da cultura e da tradição da mitologia dos orixás para um universo fantástico da ficção e da ficcão científica, tentando desconstruir as barreiras entre esses gêneros.

Do ponto de vista da sonoridade, é um disco que permeia os caminhos musicais decorrentes da diáspora africana, tendo como ponto de partida o Congo, para o Brasil e a Jamaica. É uma sonoridade que sintetisa, da minha maneira, a influência do som produzido nesses lugares na minha música .

Revista Cidade - Fora a turnê deste disco, como estão seus outros projetos?

Caê Rolfsen - Tenho produzido trilhas pra filmes e em setembro começo a produzir o disco novo da Luciana Oliveira. Pro ano que vem deve pintar um single do Gongoji, projeto instrumental que mistura música brasileira e jamaicana.

E tem outro projeto em homenagem ao Catoni, genial e ainda pouco conhecido compositor da Velha Guarda da Portela, que deve sair da gaveta pra virar disco em breve.

Revista Cidade- Caê, filho de Araraquara, hoje músico de sucesso no Brasil todo. Mas ficar longe da Morada do Sol jamais, né?!

Caê Rolfsen
 - Araraquara é minha cidade do coração. Minha família mora aí e também tem a Editora Casa da Árvore, onde realizo projetos de criação e produção de áudio.

Adoro o cenário cultural da cidade; olhar a paisagem e sair andando a pé pelas ruas da cidade, como eu fazia na infância. Não dá pra ficar longe. Você pode sair da cidade mas a cidade nunca sai de você.

Para ouvir o disco, acesse este link.

Texto: Matheus Vieira
Fotos: reprodução

 

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