Araraquara recebe segunda edição do Festival de Música de Câmara

21.11.2016
Araraquara recebe segunda edição do Festival de Música de Câmara

Pera Ensemble abre a programação, em concerto que reúne especialistas da música europeia ao lado da elite da música turca, em “Café: O Oriente Encontra o Ocidente”

Em 2016, o Sesc São Paulo realiza a segunda edição do Festival Sesc de Música de Câmara. Os repertórios executados pelos grupos convidados vão do antigo ao contemporâneo em abordagens inovadoras, dando destaque à participação de cerca de 120 artistas, na grande maioria jovens músicos, e à contundente presença de mulheres realizadoras. Com curadoria de Cláudia Toni, o Festival reúne 12 conjuntos convidados (cinco nacionais e sete internacionais – a maioria inéditos no país) em 47 concertos que acontecem em 11 unidades do Sesc, inclusive 5 destas apresentações em Araraquara, de 23 de novembro e 02 de dezembro. Quem abre a programação é o grupo Pera Emsemble, com músicos da Alemanha e Turquia, na quarta-feira (23). Os ingressos vão de R$ 12 a R$ 40 e já estão disponíveis para compra.

Pera é o nome de um bairro em Istambul, na Turquia, no qual tem coexistido, nos últimos 2000 anos, uma miríade de culturas e religiões. Assim também é a composição do Pera Ensemble, que reúne especialistas da música historicamente informada da Europa ao lado da elite da música turca. Formado por Daniel Zapico (teorba e guitarra barroca), Mehmet Yesilcay (oud/colascione), Serkan Mesut Halili (kanun), Volkan Yilmaz (ney), Yahya Geylan (canto), Ozan Pars (percussão), Sarah Perl (viola da gamba), Dmitry Lepekhov (violino), Maria Kaluzhskikh (violino), Massimiliano Toni (cravo), David Kuckhermann (percussão), Francesca Lombardi Mazzulli (soprano), e Hasan Esen (kemence/viola d'amore), o grupo explora a tradição da música antiga, mas não a trata como relíquia cultural. 

A ideia é integrar Oriente e Ocidente, passado e presente musical, criando um universo original e cujo principal objetivo é despertar as emoções dos ouvintes. O Pera foi fundado em 2005 por Mehmet Cemal Yesilcay e Ihsan Ozer, ambos nativos de Istambul e membros fundadores da Ensemble Sarband. O grupo já rodou o mundo em colaboração com outros ensembles, como Hesperion XXI e Concerto Köln, além de se apresentarem em salas e festivais prestigiados, como Händel Festspiele Halle, Festival de Música Schleswig Holstein e a sala Philharmonie, em Berlim. Sua expressiva discografia, explora as diversas relações entre a música antiga, o Oriente e o Ocidente, em registros como “One Gold: Psalms and Hymns from Orient & Ocident” (2010), “Café – Oriente encontra o Ocidente” (2012), “Momenti d’Amore” (2015) e o recém-lançado “Carnaval Oriental” (2016), em parceria com a orquestra L’Arte del Mondo. 

Sobre o programa

Em 1669, o embaixador turco na França, Soliman Aga, que representava o sultão otomano Mohammed IV, introduziu o café em Paris, mudando para sempre o hábito de beber e de se reunir na Europa. Não demorou para que a fina sociedade parisiense passasse a frequentar a embaixada turca, entusiasmada não apenas com a exótica bebida, como também com as delicadas xícaras de porcelana, o mobiliário, o vestuário e a decoração do interior das casas turcas.  Nascia, assim, a “turqueria”, a mania barroca pela arte, pela cultura e pela música do Império Otomano.

Apesar da magnífica decoração das instalações de Soliman em Paris, o embaixador turco era um tanto negligente e foi considerado excessivamente autoconfiante pelos  franceses, sendo banido de Versalhes de volta para Paris. O escândalo acabou inspirando Molière a escrever a comédia O burguês fidalgo. A partir dessa obra, o compositor da corte, Jean-Baptiste Lully, escreveu uma peça homônima. No chamado “Ato turco” que começa com “Marcha para a Cerimônia dos Turcos”, Lully reproduz diversos elementos da música turca, desde a percussão das bandas militares até os cantos místicos das cerimônias dos dervixes.

Esse é o ponto de partida do espetáculo “Café”, que reúne referências musicais do Oriente e Ocidente do século 17, relacionando-as ao ingresso da bebida na Europa. A história de Soliman Aga talvez seja a mais célebre, mas são vários os relatos da introdução do café em cidades e reinos europeus neste período. Seu efeito estimulante se uniu esplendidamente à mentalidade, aos avanços da ciência e à valorização do racionalismo que surgiu a partir do período Barroco. Diz-se que o Papa Clemente VIII (1592-1605) chegou a ser incitado a excomungar o café, mas ele próprio já apreciava a bebida de tal maneira que acabou por declará-la “bebida cristã”. 

Serviço:

Festival de Música de Câmara - “Pera Emsemble”

Dia: 23/11, quarta

Horário: 20h 

Local: Teatro

Classificação: Livre

Para mais informações acesse: Site Pera Ensemble, Facebook ou Vídeo.  

Ingressos:

R$ 12,00 (Crianças até 12 anos e matriculados no Sesc / Credencial Plena);

R$ 20,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante);

R$ 40,00(Inteira / Credencial Atividades).

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