Solenidade do 9 de julho lembra luta da geração de 32 pela democratização do País

10.07.2018
Solenidade do 9 de julho lembra luta da geração de 32 pela democratização do País

Araraquara mandou 541 cidadãos para os campos de batalha, dentre eles seguiu dna May de Souza Neves, esposa do doutor Camilo Gavião de Souza Neves, que serviu como enfermeira na capital

Realizou-se na manhã dessa segunda-feira, 9 de julho, o tradicional evento em comemoração ao 9 de julho, dia da deflagração da Revolução Constitucionalista de 1932, quando o povo de São Paulo se levantou em armas contra a ditadura.

Realizado pelo núcleo do MMMDC de Araraquara, com apoio da Prefeitura e da Câmara Municipal e participação do Grupo de Escoteiros, do TG 02-002, da Delegacia de Alistamento Militar, autoridades e populares, o evento contou com boa presença de público.

Durante o evento, o MMDC local, presidido pelo Coronel Adalberto José Ferreira, comandante do 13º BPMI, homenageou autoridades e personalidades civis e militares com a outorga da Medalhas Constitucionalista, instituía pelo Decreto Nº 29.896, de 10 de maio de 1.989, do Governo do Estado de São Paulo, e Dráuzio Marcondes de Souza, instituída por lei estadual no ano de 2014.

Prestigiando a cerimônia, o vice-prefeito Municipal Damiano Barbieri Neto, na ocasião representando o prefeito Edinho Silva, enalteceu o trabalho desenvolvido pelo MMDC local, elogiou a ação da PM no incansável trabalho pela segurança pública, e cumprimentou a todos os agraciados.

Representando a Câmara Municipal de Araraquara, o presidente da Casa, vereador Jefferson Yashuda lembrou a saga dos araraquarenses que lutaram em 32, ressaltando a importância do movimento para o resgate da cidadania e dos valores democráticos. “A geração deu um exemplo que sempre devemos reverenciar”, disse.

Prestigiaram o evento, dentre outras autoridades, o vice-prefeito Damiano Barbieri Neto; Presidente da Câmara Municipal, vereador Jeferson Yashuda; Vereador Tenente Santana; Secretário municipal de Cooperação dos Assuntos de Segurança, Coronel João Alberto Nogueira Júnio; Secretário municipal da Fazenda Donizete Simioni; Comandante do 13º BPMI, coronel Adalberto José Ferreira; Comandante do 33 ] BPMI/Barretos, Tenente Coronel Paulo Henrique Jurisato; Comandante do TG-02-002, subtenente Cleitor de Almeida Paiva; Instrutor do TG-02-002, 1º sargento Oseias Guedes da Silva; Delegado Militar de Araraquara tenente César Ricardo Velasques Trindade, além dos senhores Antonio Cláudio Falcho, prefeito municipal de Cândido Rodrigues e Osmar Inoscêncio da Costa, presidente do Conseg de Matão.

 

Homenagens

Foram homenageados com a Medalha Constitucionalista, o Tenente Coronel Paulo Henrique Jurissato; o Capitão Richard Severino Souza; o Capitão Fernando Marino Porto; o Capitão Ricardo Domingos Júnior; o Capitão Ricardo Costa Curta Filho; o Capitão Flávio Mira D’arbo; o Capitão André Luiz Hannickel; a Capitão Esther Sewastjanow Silva Santos; Capitão Marlon de Assis Magro; o 1º Tenente Adilson José Gardim; o 1º Tenente Luiz Augusto Alves Tavares; o 1º Sargento Paulo Casar Machado Ferraz; o 2º Sargento Marcelo Antonio Galbiatti; o 2º Sargento Mauro Ferreira Zanin; 3º Sargento Fábio Augusto Campos; o Cabo Ademilson Donizeti Pierina; o Cabo Flávio Luiz Ramos Giannini, o Cabo João Nivaldo Graças Leppos; o Cabo Marcelo Marconato e o Soldado Luiz Carlos Gouveia da Silva.

Também foram agraciados com a Medalha Constitucionalista, o Exmos. Senhores, Antonio Cláudio Falchi Prefeito Municipal de Cândido Rodrigues; Osmar Inoscêncio da Costa, Presidente do Conseg de Matão; Donizete Simioni, Secretário Municipal da Fazenda do município de Araraquara; Lucas Henrique Pinheiro e o empresário e diretor do MMDC de Araraquara, Fernando Cesar Sedenho.

Receberam a Medalha Dráuzio Marcondes de Souza, o Major PM Luis Roberto Moreira Filho; o Subtenente Antonio Marcos de Camargo e o 2º Tenente PM Eudes Abrahão da Silva.

 

Conheça mais sobre o movimento de 32

Quando Getúlio Vargas, apoiado pela Aliança Liberal e contando com o braço armado dos Tenentistas, protagonizou a Revolução que colocou fim ao regime da Velha República e suas práticas Oligárquicas no país, houve muita comemoração por todo o estado de São Paulo.

O movimento pregava a convocação de uma Constituinte, o voto secreto e universal, além de profundas reformas políticas e sociais, e contava com entusiasmado apoio em todo o território nacional, tendo nos líderes do Partido Democrático de São Paulo como, Vicente Ráo, Francisco Moratto alguns de seus principais ativistas.

Coube a Vicente Ráo, inclusive, a confecção do plano que desmobilizou completamente as lideranças e a estrutura do PRP, partido que dava base a Velha República.

Vitorioso o movimento, formou-se um Governo Provisório, nomeou-se interventores para todos os estados e governadores (hoje denominados Prefeitos) para as cidades.

Havia muita mágoa represada contra os antigos governantes, no entanto. Por todo o território nacional, perseguições, agressões, saques.

Os Tenentistas, tantas vezes derrotados em antigas tentativas de tomar o poder, exigiam dirigir alguns estados. Depois da malograda tentativa de depor o Presidente de São Paulo Carlos de Campos no ano de 1924, ocasião em que tiveram que empreender fuga pelo interior do país, os Tenentistas exigiram governar o mais rico estado da federação.

Entre nomear os líderes revolucionários paulistas para comandar São Paulo, ou agradar aos Tenentistas, Vargas optou por entregar o estado aos últimos. São Paulo não aceitou, exigiu um interventor civil e paulista e os ânimos se acirraram.

 

Civil e Paulista

No poder, os Tenentistas ocuparam militarmente o estado de São Paulo. O tempo passava, e nada de o Governo Provisório falar em constituinte ou eleições. Por todo o Brasil, desconfiava-se de um golpe por parte dos Próceres de 30 para se perpetuar no poder. O povo paulista foi para as ruas e exigiu o fim da liderança Tenentista no estado.

Pressionado, Getúlio cedeu. Em março de 1932, depois de enormes manifestações populares, Vargas nomeou o ex-embaixador Pedro de Toledo, paulista e civil, como interventor de São Paulo. Pressionado a aceitar ingerências em seu governo no momento de nomear o Secretariado, ele reage e exige liberdade de ação. Getúlio ameaça tira-lo do cargo. O povo foi novamente para as ruas.

O Partido Democrático de São Paulo, que tanto lutara em favor de Getúlio, deita um manifesto reprovador as constantes agressões contra o povo paulista e ao estado militarmente ocupado. A polícia getulista invade sua Sede, prende Vicente Ráo, justamente ele, o idealizador do projeto de desmonte do “perrepismo”.

A revolta, porém, não acontecia só em São Paulo. No Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e até mesmo na capital, Rio de Janeiro, explodiram, entre o final de 1931 e o início de 1932, inúmeros movimentos contrários ao governo e a sua política.

Os jornais, mesmo aqueles alinhados ao governo, protestavam. O discurso era um só: “O governo provisório está provisório por tempo demasiado....precisamos de uma Constituição....de eleições...”. Getúlio reprimiu as manifestações com violência e com isso, a revolta do povo só aumentou.

 

23 de maio

O dia 23 de maio amanheceu tranqüilo na capital paulista. Menos nas ruas do centro, onde alguns “tiras” de Getúlio ocupavam pontos estratégicos. Sabia-se que o ministro Oswaldo Aranha estava na capital, e corria de boca em boca a noticia de que sua presença em São Paulo se dava para depor Pedro de Toledo. Rapidamente as ruas se viram tomadas pelo povo. A ocupação militar de São Paulo já havia enchido a paciência dos paulistas.

Os discursos começaram a espocar, aqui e ali. A atmosfera ficou eletrizada e todos, em altos brados, exigiam que o novo Secretariado de São Paulo fosse aclamado pelo próprio povo. De repente, a multidão resolveu se dirigir até o Quartel das Forças Armadas. Ordenadamente, o povo se dirigiu ao Quartel. Os líderes temiam ser recebidos sob fogo de metralhadoras. Lá, a surpresa. Os portões estavam abertos, escancarados. Diversos oficiais apareceram e se congratularam com os manifestantes. O Exército estava com São Paulo.

De lá, os manifestantes resolveram ir até o QG da Força Pública. E lá se foram eles. Ao chegarem, enquanto os líderes explicavam as razões do Movimento aos atentos oficiais, alguns integrantes da passeata forçaram a porta da sede da odiada Legião Revolucionária de Getúlio.

Uma gritaria começou no meio da praça. O povo estava sendo atacado a tiros. Correria, raiva, gritos, brigas e sangue. Pouco depois, 5 corpos jaziam no chão: Mario Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia, Drausio Marcondes de Souza, Antonio Américo de Camargo Andrade estavam mortos. Orlando de Oliveira Alvarenga, gravemente ferido (faleceria em um quarto de hospital no mês de agosto).

Revoltada, a multidão se dirigiu até o Palácio dos Campos Elíseos e gritou seu apoio a Pedro de Toledo.

 

Araraquara na Revolução

Entre a madrugada de 9 de julho, passando por todo o dia 10, precipitou-se em Araraquara uma avalanche de notícias sobre a deflagração do movimento revolucionário na capital paulista. A situação confundiu os líderes e a população local.

Finalmente, na noite do dia 11, confirma-se o esperado e na edição de 12 de julho, em matéria de 1ª página, O Imparcial divulgava: “São Paulo, 11 – (Rádio) – Movimento Constitucionalista – O aviador paulista José Boccacio, acompanhado do civil Mourão, alcançou a capital da República, conseguindo lançar manifestos e 80 kg de jornaes paulistas em plena cidade. Os tripulantes do avião paulista voaram sobre a Avenida Rio Branco a 30 metros de altura”.

Logo a seguir, um comunicado da capital: “O QG da faculdade de direito de São Paulo, MMDC, avisa os alistados para se apresentarem em suas divisões, às 20 horas afim de aguardar ordens”.

Pouco abaixo, a proclamação da Prefeitura de nossa cidade: “Ao Povo: A Prefeitura Municipal de Araraquara, por seu Prefeito infra-assignado, obedecendo instrucções emanadas do Departamento de Administração Municipal do Estado, convoca cidadãos que quizerem se alistar, prestando serviços como voluntários á causa do Estado de são Paulo, que é a causa do Brasil, a comparecerem ao edifício da Prefeitura, na Praça Municipal, a partir de hoje, para instrucções necessárias sobre o módo como se devam conduzir...as inscripções se acham abertas em uma das salas daquella repartição das 12 ás dezessete horas. Francisco Vaz Filho – Prefeito”.

Pouco tempo depois a Prefeitura passou a utilizar a antiga sede social do Clube Araraquarenses (hoje o prédio se encontra fechado para reforma, e abrigava a secretaria Municipal da Cultura), na época ainda não inaugurada (a sede foi inaugurada em 1935) como posto de alistamento.

Formaram-se grupos de mulheres pelas escolas da cidade que costuraram de tudo, desde roupas, fardamentos, agasalhos e muitos outros apetrechos que poderiam ser úteis para os voluntários paulista em campos de batalha.

O apoio à causa foi imediato, e a população da cidade foi para às ruas.

No dia seguinte, 13 de julho, os primeiros voluntários araraquarenses seguiram para se integrar às forças que estavam se formando na capital pela constitucionalização do país. 

Araraquara, na época uma pequena cidade, mandou para as frentes de batalha 541 de seus filhos. Entre eles, uma mulher, Dna May de Souza Neves, esposa do Dr. Camillo Gavião de Souza Neves, que seguiu no dia 14 de julho para servir no Serviço Hospitalar para Assistência ao Soldado Constitucionalista.

 

Mobilização total

Assim como em todo o estado de São Paulo, a mobilização popular pela causa Constitucionalista em nossa cidade foi total. Homens, independentemente da idade ou condição social, apresentaram-se em massa para servir nos batalhões que se formavam na capital.

Grandes fazendeiros e pequenos agricultores colaboraram com enormes quantidades de alimentos e outros artigos para sustentar as forças de São Paulo nas frentes de combate.

A população, em geral, doou de tudo: alianças, anéis, relógios, pratarias, dinheiro, roupas etc. Formou-se nas escolas do município inúmeros grupos de moças que costuravam todo tipo de peças de vestuário para serem enviadas aos soldados em campanha; funcionários do escritório central da antiga EFA, proibidos em uma primeira hora de se apresentar como voluntários organizaram uma campanha para arrecadação de fundos.

Além disso, todo o destacamento de polícia do município foi enviado para as frentes de batalha. Em razão de tal fato, coube ao Tiro de Guerra local, que na época tinha a designação numérica 610, e havia sido elevado a condição de Tiro pouco mais de três meses antes (já existia como Linha de Tiro desde 1911), a responsabilidade de fazer o patrulhamento da cidade, bem como, da Guarda da cadeia da local.

Durante três meses, tempo em que durou o conflito, toda a cidade esteve unida em torno da causa e de manter ativo o exército paulista. Tudo, para alcançar o objetivo maior: a Constitucionalização do país.

 

Os Mártires

Três meses depois, ao final do conflito, sete araraquarenses não retornaram: Bento de Barros, Diógenes Muniz Barreto, Tenente Joaquim Nunes Cabral, Waldomiro Machado, José Cesarini, Octávio de Oliveira Ameduro e Joaquim Alves. Todos, mortos em combate.

Encerradas as hostilidades, a Prefeitura de Araraquara reclamou seus corpos e erigiu, na Avenida principal do cemitério São Bento, um Mausoléu em homenagem a todos os araraquarenses que se envolveram na epopéia constitucionalista, onde foram enterrados os heróis da cidade que tombaram pela causa.

Um oitavo voluntário paulista foi enterrado junto com os araraquarenses. Era Augusto Moraes, soldado constitucionalista de origem desconhecida, mas que perdeu e vida em batalha lutando ao lado do araraquarense Tenente Joaquim Nunes Cabral, com os dois sendo enterrados juntos pelos companheiros de farda.

Quando a Prefeitura de Araraquara reclamou o corpo de Nunes Cabral e seus despojos foram exumados, não se conseguiu identificar quem era ele e quem era Moraes, visto que os corpos em decomposição se misturaram. Foi então que as autoridades araraquarenses da época decidiram trazer Moraes e lhe dar a moradia eterna ao lado dos heróis da cidade.

O Mausoléu ao Movimento Constitucionalista de 1932 foi inaugurado no dia 9 de julho de 1934, ainda sob vigência de uma lei federal que proibia qualquer manifestação simpática ao movimento deflagrado por São Paulo, encontra-se hoje na 1ª rotatória da Avenida Bento de Abreu, na Fonte, para onde foi transferido no ano de 1972, imortalizando, assim, os épicos momentos vividos pelos araraquarenses da época.

 

Momentos da história

- Um dos episódios mais marcantes do período se refere a enorme bandeira de São Paulo, que era carregada, aberta, por moças e moços pelas ruas da cidade aos gritos de “Ouro para São Paulo”, movimento patrocinado pelos constitucionalistas que visava obter fundos para manter a Revolução.

Os jovens andavam pela cidade recebendo doações, que eram jogadas sobre a bandeira, e ao terminarem a jornada dirigiam-se até a entrada da Casas Barbieri, na esquina da Rua 9 de Julho (na época Rua do Comércio), com Avenida Duque de Caxias, local em que hoje está sediada uma loja de tecidos e roupas, onde os aguardavam o Dr. Octavio Arruda Camargo e os demais responsáveis pela contabilização das doações.

A bandeira de São Paulo era dobrada, como uma trouxa de roupa, e entregue ao Dr. Octávio, que a levava para dentro da loja. Lá, os responsáveis procediam a contabilização das doações e as guardavam no cofre. Depois, um emissário apanhava tudo e levava, de trem, para o Governo Revolucionário em São Paulo.

 

- Outro importante dado da época se refere as primeiras transmissões realizadas pela rádio Cultura (inaugurada naquele ano) que aconteciam todos os finais de tarde, de dentro das Casas Barbieri. Foram colocados auto falantes diante da loja e toda a cidade se dirigia para lá perto das 18 horas, quando o locutor transmitia as “Notícias do Front”, e lia “As Cartas do Front”, que eram as cartas enviadas por araraquarenses que se encontravam nas frentes de batalha.

 

- Também deve se registrar a criação dos batalhões infantis, quando crianças da cidade vestidas com roupas militares andavam pelas ruas invocando a colaboração de todos para o sucesso do movimento.

 

- Um momento, porém, ficará para sempre na memória dos araraquarenses da época. Segue relato obtido pela reportagem junto ao senhor Wilmon Barbieri (in memoriam), testemunha do período:

 

“Depois de terminada a guerra, quando os soldados araraquarenses voltaram, a cidade estava ocupada por tropas de Minas. Ainda me lembro quando os vi arrombarem o cadeado de um casarão no centro, onde fizeram seu QG. O comandante mineiro, um capitão, no entanto, era um homem muito justo. Muito bom. Quando o trem parou na Gare da Paulista, os jovens araraquarenses que voltavam, ainda irritados com a derrota, gritaram “Viva São Paulo”, Viva São Paulo”, e o povo que os esperava respondeu aos gritos com “Vivas”. Os soldados mineiros, antão, assentaram uma metralhadora no páteo da estação e foi aquela correria. Só não aconteceu uma tragédia naquele dia porque o Capitão, aos gritos, ordenou aos comandados que parassem com aquilo”.

Importante registrar que no mesmo dia 9 de julho de 1934, quando a cidade toda acorreu ao cemitério São Bento para inaugurar o Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, onde estavam depositados os despojos dos seis araraquarenses mortos em batalha no conflito, a Prefeitura inaugurou também a primeira placa com a nova denominação da Rua do Comércio (na esquina da Rua com a Avenida Duque de Caxias), que a partir daquele dia passou a ser denominada Rua 9 de Julho.

Em seguida a cerimônia de inauguração que deu nova denominação a principal rua comercial da cidade, a Prefeitura inaugurou uma placa que foi afixada na parede externa da loja das Casas Barbieri (também localizada na esquina da Avenida Duque de Caxias), em homenagem aos serviços prestados pelos irmãos à causa da Revolução. A placa, ainda se encontra lá.

 

Três meses

A Revolução, que durou três meses, foi uma epopéia que mobilizou homens, mulheres, idosos e crianças por todo São Paulo e custou quase duas mil vidas.

A derrota do movimento de 32, que teoricamente se transformou em vitória com a Constituinte de 1934, tornou definitiva, com a implantação do Estado Novo em 1937, a maior verdade defendida pelos lideres revolucionários derrotados naquela ocasião: Getúlio queria governar sob regime ditatorial.

Os ideais da Revolução de 32 somente puderam ser alcançados pelo país em 45, com o fim da ditadura do Estado Novo.

É chegada à hora de se levar a sério o Movimento de 32. Aquela Revolução mostrou que toda vez que houver a tentativa de imposição ditatorial no país, haverá resistência profunda nos Estados mais desenvolvidos, aqueles que não se deixam controlar de maneira humilhante.

E São Paulo, embora sozinho, manteve firme sua palavra até o fim.

 

Resumo da Pesquisa jornalista Hamilton Mendes

Revista Cidade

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