Greve continua e começa a ter cara de grande movimentação popular

28.05.2018
Greve continua e começa a ter cara de grande movimentação popular

Vivendo seu 8º dia, a greve dos caminhoneiros que praticamente paralisou o País nas últimas horas parece não arrefecer, e já começa a ganhar ares de movimentação política, o que poderia gerar outro grande movimento como aquele que, convocado pelas redes sociais, levou milhões de pessoas para às ruas em 2013 por todo o território nacional.

Em Araraquara, os grevistas manifestaram sua vontade de continuar a paralisação, atacando o governo federal e afirmando, entre outras coisas, que a classe política não é confiável. De acordo com declarações de alguns deles, o movimento, agora, representa o desejo popular por mudanças mais profundas na vida pública nacional.

O governo Temer, como era esperado, recuou e aceitou todas as exigências iniciais dos caminhoneiros, com o presidente assinando medidas provisórias que garantem a redução do diesel na bomba em R$ 0,46, além de outras providências.

Antes disso, Temer havia declarado que o governo “mostraria força e teria coragem”, anunciando que o Exército iria para às ruas “garantir a ordem”. Não foi o que se viu. O Exército não foi para às ruas.

Outra grande surpresa para o governo que o movimento dos caminhoneiros causou foi o grande apoio popular à causa, com manifestações públicas na forma de carreatas, passeatas e movimentos de solidariedade aos grevistas se registrando por todo o País. E apesar do risco iminente de desabastecimento e do caos generalizado o engajamento da população só aumenta.

Ou seja: fica muito claro que a falta de legitimidade dos atuais governantes, a corrupção e a completa alienação da classe política com a realidade da população, está levando o Brasil a uma situação de completa ingovernabilidade.

A expectativa agora, portanto, é pelo que está por vir.

O movimento pode arrefecer, e a greve acabar. Porém, se os grevistas se mantiverem firmes e o apoio popular ao movimento continuar aumentando, a pergunta que não quer calar é: até quando o governo vai se aguentar das pernas?

 

* Hamilton Mendes

 

Revista Cidade

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