Fechamento de 200 mil restaurantes e similares já é esperado na rede brasileira

23.05.2020
Fechamento de 200 mil restaurantes e similares já é esperado na rede brasileira

A falta de clientes deve levar ao fechamento de cerca de  200 mil restaurantes e similares em toda a rede brasileira. O número faz parte de um cálculo, pode-se dizer até otimista, realizado pela Confederação Nacional do Turismo (CNTur) ainda no início do processo de isolamento social.

O cálculo, que levava em conta a possibilidade de os estabelecimentos ficarem fechados por 16 dias em média, apontava ainda para a falência de 10% dos hotéis de todo o Brasil. A quarentena, porém, já caminha para 70 dias.

Para Wilson Luiz Pinto, secretário geral da CNTur, o grande problema é que restaurantes possuem pouco capital de giro, por ser atividade de alto custo e com margem de lucro baixa.

"Um ponto comercial precisa ser num lugar bem visível, com um valor aluguel extremamente caro. A atividade também exige muitos funcionários e, além disso, temos uma alta carga de imposto sob os ombros da categoria. É impossível ficar um mês parado, sem faturar. Os números são tristes, mas teremos, só na cidade de São Paulo, mais de 20 mil pedidos de falência. Uma situação que irá demorar anos para revertermos", afirma Luiz Pinto, que também é presidente do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo (SindResBar-SP).

Levantamento recente realizado pelo jornal O Estado de São Paulo apresenta números ainda maiores, apontando que cerca de 40% dos estabelecimentos do setor devem fechar suas portas somente da capital.

 

Delivery não resolve

Uma das modalidades que vem mantendo o setor, o delivery, ameniza, não é visto como uma solução definitiva pelo setor.

"O salão que realmente é responsável pelo faturamento, a maioria absoluta dos restaurantes não consegue pagar nem mesmo a folha salarial com pedidos por telefone. Essa modalidade é uma medida paliativa. Precisamos que essa pandemia passe rapidamente, se não o prejuízo será ainda maior", diz.

Os hotéis também sentem forte o baque da crise, segundo Alexandre Sampaio, presidente da FBHA.

"Fomos os primeiros a sofrer com a pandemia e seremos os últimos a voltar à atividade normal. Estimamos que mais de três mil hotéis e pousadas fechem as portas, durante essa crise, pelo alto custo de manutenção e funcionamento desse tipo de estabelecimento", afirma.

 

Desemprego preocupa sindicatos

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), que representa mais de quatro milhões de trabalhadores do setor, demonstra grande preocupação com o desemprego que já começa a chegar. 

O presidente da confederação, Wilson Pereira, afirma que é possível ter até meio milhão de desempregados no setor de turismo e hospitalidade, que engloba hotéis, restaurantes e bares.

"Vamos tentar mitigar ao máximo essa crise, mas é inevitável a grande perda de empregos", diz Wilson Pereira.

Revista Cidade

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