Estudo aponta que uso de máscaras são cruciais para evitar uma segunda onda da pandemia

13.06.2020
Estudo aponta que uso de máscaras são cruciais para evitar uma segunda onda da pandemia

Modelos matemáticos indicam que uso maciço da proteção, combinado com medidas restritivas pontuais, impediria novo surto da doença

Uma simulação com 60 milhões de pessoas mostra que se todos usassem máscara na maior parte do tempo não haveria segunda ou terceira ondas da pandemia de coronavírus. Mesmo em percentagens muito mais baixas, a propagação da covid-19 cairia de seu índice de reprodução (número básico de reprodução ou R0) sem a necessidade de medidas de contenção mais extremas. Segundo os autores desse estudo, na ausência de ferramentas mais tecnológicas e avançadas, se a população em massa cobrir o rosto isso daria o tempo necessário para encontrar uma vacina. 

Criados por pesquisadores britânicos, alguns modelos matemáticos mostram que algo tão pouco sofisticado, como várias camadas de tecido de algodão, pode ser a primeira linha de defesa contra o coronavírus. Sua simulação, feita na população do Reino Unido, se alimenta de dados reais de pessoas infectadas e de um ritmo contágio prévio ao uso de máscaras, semelhante ao máximo atingido por uma dezena de países europeus. Com esses e outros parâmetros epidemiológicos, eles tentam responder à seguinte pergunta: que grau de adoção das máscaras seria necessário para baixar o R0 para menos de um? Reduzir para essa cifra implica o desaparecimento da epidemia em um intervalo de tempo.

"Nossas análises respaldam a adoção imediata e universal de máscaras", diz o principal autor do estudo, Richard Stutt. Até agora, esse pesquisador da Universidade Cambridge criava modelos para a disseminação de doenças entre plantações de hortaliças, um conhecimento que ele aplicou à atual pandemia humana. "Se combinarmos o uso maciço de máscaras com o distanciamento físico e algum grau de confinamento, a pandemia pode ser administrada de modo responsável ao mesmo tempo em que a economia se recupera, muito antes de haver uma vacina eficaz", acrescenta.

Os resultados do estudo, publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society A, indicam que, se pelo menos metade da população usasse máscara em público, a taxa de infecção cairia abaixo de R0 = 1. Como ficou demonstrado, a curva da pandemia não diminui enquanto esse limite não é alcançado. Com porcentagens crescentes de pessoas cobrindo o rosto, o modelo indica que esse R0 se aproximaria cada vez mais de zero.

Segundo esta pesquisa, na situação ideal com toda a população usando máscara, o R0 permaneceria bem abaixo de 0,5. Mais importante ainda: uma segunda ou terceira onda seria evitada se as máscaras fossem complementadas com confinamentos pontuais e parciais por pelo menos 18 meses, período que se acredita ser suficiente para obter a vacina. O problema, como reconhecem os autores, é que esses cenários são uma simulação baseada em uma série de suposições.

 

fonte: El País

Revista Cidade

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