Estudo aponta que fluxo do ar condicionado facilita transmissão pelo ar do novo coronavírus

05.05.2020
Estudo aponta que fluxo do ar condicionado facilita transmissão pelo ar do novo coronavírus

Um novo estudo publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Guangzhou, na China, levantou novamente o debate sobre qual a distância que o novo coronavírus pode se espalhar no ar e qual o papel que ambientes fechados e mal ventilados têm na transmissão do vírus.

O trabalho analisou 10 casos do novo coronavírus que foram rastreados até um restaurante em Guangzhou, a mais de 900 quilômetros de distância do epicentro da doença, em Wuhan. Os pacientes começaram a apresentar os primeiros sintomas em janeiro de 2020.

O estudo envolveu a análise das famílias A (de onde vem o paciente que originou a contaminação), B e C. O paciente que originou a infecção não apresentava sintomas e saiu de Wuhan com a família, onde se reuniu com eles para almoçar em um restaurante. Ao seu lado, sentaram-se em mesas a cerca de um metro de distância familiares da família B e C.

Naquele mesmo dia, o paciente A1 apresentou tosse e febre e procurou o hospital. Em 5 de fevereiro, um total de nove pessoas (quatro da família A, três da família B e dois da família C) foram diagnosticados com covid-19.

A única ligação entre todos eles era o almoço realizado no mesmo restaurante. Mas o paciente A1 estaria, teoricamente, muito longe para infectar as outras mesas - a forma principal de contaminação é por meio das secreções que saem durante a fala, em espirros ou tosse. Como, então, o vírus se espalhou?.

Fluxo do ar condicionado Os cientistas revisitaram o cenário para analisar as possibilidades. Naquele dia, 91 pessoas - 83 clientes e oito funcionários - estiveram no local. Mas apenas os dez pacientes citados foram infectados. Análises nos aparelhos de ar condicionado também não resultaram em positivo para a presença do vírus.

Eles concluíram que o fluxo de ar do aparelho de ar condicionado, localizado próximo às três mesas, fez com que as gotículas (partículas maiores que saem enquanto falamos, por exemplo) fossem levadas para mais longe do que o esperado (espera-se que elas atinjam uma distância menor do que um metro) e chegassem até as mesas das famílias B e C.

Os pesquisadores também levantaram a possibilidade de que o "ventinho" do ar condicionado tivesse espalhado gotículas menores, chamadas aerossóis, conhecidas por serem mais leves e viajarem a distâncias maiores no ar. No entanto, os especialistas descartaram essa possibilidade, já que nenhum outro cliente ou funcionário ficou doente.

Além de concluírem que o fluxo do ar condicionado levou as partículas contaminadas para as outras mesas, os pesquisadores também perceberam que a falta de ventilação do espaço e a lotação (que era alta no dia) aumentaram ainda mais a propagação do vírus, e reforçaram que síndromes respiratórias costumam se propagar com facilidade em espaços mal ventilados e com aglomerações.

 

Fonte: Danielle Sanches - VivaBem, em São Paulo

 

Revista Cidade

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