Edinho - "Governo do PSL é como uma cobra de várias cabeças, cada uma se movimentando em um sentido"

04.11.2019
Edinho - "Governo do PSL é como uma cobra de várias cabeças, cada uma se movimentando em um sentido"

Cobra de várias cabeças

Segundo avaliação feita meses atrás pelo prefeito Edinho Silva em texto distribuído internamente no PT, e, portanto, ainda antes de toda a refrega que se vê atualmente envolvendo o governo Bolsonaro e os grupos que apoiaram a ascensão da direita no Brasil, o momento vivido pelo País é histórico é de extrema gravidade para as forças partidárias de esquerda, para os movimentos sociais e, em especial, para o PT. "O que se dá neste momento é a ascensão na sociedade brasileira de valores conservadores, de negação e repulsa ao ideário progressista, de inspiração nas bandeiras históricas do socialismo, do humanismo. O governo Bolsonaro, após esses primeiros meses de mandato, explicita a caracterização que havíamos aventado como hipótese após as eleições de 2018: um aglomerado político marcado por grandes contradições. Um governo que se tipifica como uma cobra de várias cabeças, cada uma delas se movimentando em um sentido", diz. 

 

Condomínio de interesses

Segundo Edinho, o que há hoje é um condomínio de interesses, de formulações: de liberais extremados, lacerdistas do século XXI envergonhados com a trajetória da família Bolsonaro, e das manipulações eleitorais do PSL, com todo discurso moralizante que fizeram nas eleições, o que hoje gera "uma saia justa" escandalosa. "Também estão no condomínio de interesses que é o novo governo, fundamentalistas religiosos, nacionalistas com discursos modernizantes, setores atrasados do capitalismo nacional e a vertente mais pragmática da política nacional", afirma.

 

Governo confuso

Se as contradições são gritantes e começam a impedir "o céu de brigadeiro" tão desejado pelo empresariado nacional e interesses internacionais, necessário para impor a agenda neoliberal, esse mesmo governo, até agora sem uma caracterização clara, tem base social e apoio popular. "É um governo confuso, atrapalhado, que sofre um desgaste importante, mas ainda assim, está lastreado em uma considerável sustentação social", alerta.

 

Discurso retrógado

Edinho afirma, entre outros pontos, que a esquerda deve entender que o fenômeno Bolsonaro atraiu, ao longo dos últimos anos, "...com um discurso retrógrado, homofóbico, racista, machista e fundamentalista religioso", uma parcela importante da sociedade brasileira que se identifica com suas ideias. Setores sociais que se pautam pela ideologia de costumes conservadores, que rejeitam as políticas públicas que estabelecem avanços de direitos para as minorias políticas - ampliação, consolidação do conceito de democracia social.

 

Governador torce contra

O prefeito de Araraquara se debruça ainda no que ele chama de "contradições no campo da direita", citando o caso de São Paulo e do governo Doria. "Por mais que sinalize para a agenda de Bolsonaro, e ninguém duvide, ele se comprometerá publicamente cada vez mais com ela: medidas repressoras, privatizantes, discurso radicalizado à direita; ao mesmo tempo, ele torce pelos erros e fracassos de Bolsonaro, já que seu sonho é se caracterizar como a alternativa para os interesses neoliberais, caso o condomínio bolsonarista imploda". 

 

Projetos políticos 1

Para Edinho, a eleição de 2020 será um momento muito importante para a disputa de projetos, e a esquerda não pode e não deve ignorar os aspectos da macro política, "...mesmo tendo a clareza de que eleições municipais, majoritariamente, se definem pelos aspectos da localidade, como a qualidade da saúde, da educação, do transporte, da água, das vias públicas, praças, pelas políticas habitacionais, sociais, combate à pobreza, lazer, esporte, cultura, etc". 

 

Projetos políticos 2

Segundo ele, devido a atual polarização política vivida no país, o debate nacional terá muita relevância para a construção do cenário de disputa das próximas eleições. "Temos que dar peso aos acontecimentos nacionais e seus reflexos na vida das cidades. O desmanche das políticas públicas, a retirada de direitos dos trabalhadores, o aumento do desemprego, da miséria, da fome, tudo isso tem que estar nas nossas formulações, na nossa concepção de sociedade nas disputas municipais", destaca.

Revista Cidade

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