Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil: zelo e diagnóstico precoce

14.02.2020
Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil: zelo e diagnóstico precoce

Professora de Medicina da Uniara aborda números e questões relacionadas ao problema

Este sábado, dia 15 de fevereiro, é lembrado como o Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil, uma questão delicada que envolve um zelo maior em relação a essas crianças. A professora do curso de Medicina da Universidade de Araraquara - Uniara, Larissa Bueno Polis Moreira, aborda a questão e lembra que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura.

"O Instituto Nacional de Câncer - INCA estima aproximadamente 12.500 casos novos ao ano de câncer na população pediátrica - zero a dezenove anos - no país, o que equivale a aproximadamente 3% dos casos de câncer na população, excluindo os cânceres de pele não melanoma. É a primeira causa de óbito por doença na faixa etária de cinco a dezenove anos no Brasil. Dados de 2016 mostraram 2.840 óbitos em crianças e adolescentes por câncer", relata a docente.

Ela comenta que, "no mundo, a proporção é semelhante: 2% a 3% dos casos de câncer atingem a população infantil, estimando-se aproximadamente 160.000 casos ao ano".

O tipo mais comum na população pediátrica, de acordo com a professora, é a leucemia aguda. "Corresponde a 30% de todas as neoplasias infantis. O tipo de leucemia nessa faixa etária mais frequente é a linfoide aguda, que pode ocorrer em todas as idades, mas 60% de todos os casos ocorrem na população pediátrica, com um pico de incidência nas crianças de dois a cinco anos. Em seguida, os linfomas e os tumores de sistema nervoso central ocupam o segundo e terceiro lugares no nosso país", detalha Larissa.

Em oncologia pediátrica, não se fala em prevenção, "pois os tumores não estão relacionados com hábitos de vida como na população adulta". "Falamos em diagnóstico precoce. Existem sinais e sintomas que alertam os médicos que acompanham as crianças para suspeitarem e investigarem, como febre de origem indeterminada, manchas roxas pelo corpo, dor de cabeça progressiva, perda de peso, aumento do volume abdominal e presença de caroços endurecidos no pescoço. Quando as crianças chegam a um serviço de referência em oncologia pediátrica, nas fases iniciais da doença, maiores são as chances de cura", ressalta a docente.

Em relação aos avanços na busca pela cura do câncer, ela menciona que "saímos de uma curva de sobrevida inferior a 10% nos casos de leucemias agudas da infância, nos anos setenta, para uma sobrevida nos dias atuais de aproximadamente 80%". "A intensificação das quimioterapias, o maior conhecimento da doença e a possibilidade de transplante de medula óssea, nos casos com indicação, possibilitaram esse aumento nas chances de cura. Hoje, as taxas de cura geral dos cânceres pediátricos são em torno de 70%, sendo que o surgimento de novas modalidades terapêuticas como anticorpos monoclonais e novos protocolos de tratamento têm aumentado as chances de cura em diversos tipos de tumores pediátricos", destaca.

Os tratamentos são fundamentais, mas quando se trata de jovens pacientes, o cuidado deve ser ainda maior. "É muito importante, no tratamento das crianças, a presença dos voluntários palhaços, que levam alegria a elas e seus acompanhantes, fazendo-as esquecerem um pouco do ambiente hospitalar, do tratamento intenso da doença e dos efeitos colaterais do tratamento", diz Larissa.

Ela reforça que "é muito importante pensarmos em reduzir ao máximo os efeitos tardios do tratamento". "Temos tumores dos quais a curva de sobrevida é superior a 90% quando diagnosticados e tratados em fases iniciais, enquanto quando chegam com doença avançada, as chances de cura são inferiores a 30%", alerta.

Já com o diagnóstico precoce, "podemos diminuir a intensidade do tratamento, causando menos efeitos colaterais e tardios". "É importante lembrar que estamos tratando uma população que, quando curada, terá muitos anos de vida pela frente: muitas crianças ainda passarão pela adolescência, pela faculdade, arrumarão empregos e formarão famílias", finaliza Larissa.

Informações sobre o curso de Medicina da Uniara podem ser obtidas no endereço www.uniara.com.br ou pelo telefone 0800 55 65 88.

 

Revista Cidade

Publicidade