Comemoração ao 9 de Julho acontece nesta segunda, 9 horas, na rotatória do Soldado, na Avenida Bento de Abreu

08.07.2018
Comemoração ao 9 de Julho acontece nesta segunda, 9 horas, na rotatória do Soldado, na Avenida Bento de Abreu

Evento em homenagem a toda uma geração de paulistas que pegaram em armas, e lutaram em 1932 pela democratização do País acontece na manhã desta segunda-feira, 9 de julho, data Magna dos paulistas.

A epopéia de 32 levou 541 ararquarenses para os campos de batalha, inclusive uma mulher, Dona May de Souza Nebes, esposa do doutor Camilo Gavião de Souza Neves, médico e interventor (Prefeito) de Araraquara no início dos nos 40. Dona May serviu como enfermeira na capital. O conflito, que durou três meses, ceifou a vida de sete araraquarenses, seis mortos em combate e um em acidente de trânsito.

Enterrados onde tombaram, todos tiveram seus corpos reclamados e recuperados pela Prefeitura de Araraquara, que os sepultou no Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, inaugurado em 9 de julho de 1934 na entrada principal do Cemitério São Bento.

Em seu descanso eterno, os araraquarenses Tenente Joaquim Nunes Cabral, Bento de Barros, Diógenes Muniz Barreto, Waldomiro Machado, José Cesarini, Joaquim Alves e Otávio de Oliveira Ameduro tiveram a companhia de Augusto Moraes, soldado constitucionalista de origem desconhecida, mas que perdeu e vida em batalha lutando ao lado do araraquarense Tenente Joaquim Nunes Cabral, com os dois sendo enterrados juntos pelos companheiros de farda.

Quando a Prefeitura de Araraquara reclamou o corpo de Nunes Cabral e seus despojos foram exumados, não se conseguiu identificar quem era ele e quem era Moraes, visto que os corpos em decomposição se misturaram. Foi então que as autoridades araraquarenses da época decidiram trazer Moraes e lhe dar a moradia eterna ao lado dos heróis da cidade.

O mausoléu ao Soldado Constitucionalista, túmulo dos araraquarenses mortos em 32, é o mesmo monumento que hoje enfeita a "Rotatória do Soldado", na avenida Bento de Abreu, para onde foi levado no início dos anos 70 com o intuito de perpetuar a história do movimento revolucionário, considerado até os dias atuais como o maior movimento popular espontâneo da história do País. 

 

Cercado

O movimento de 32 foi organizado em São Paulo pelos mesmos líderes que estiveram à frente da Revolução de 30 no estado, apoiando o movimento que levou Getúlio Vargas ao poder e colocou fim ao antigo regime. Sua intenção: resgatar os valores que motivaram a derrubada da Velha República e implantar a normalização democrática do país. 

Getúlio assumiu com um Governo Provisório, entregou o comando dos principais estados brasileiro ao braço armado do movimento, os Tenentistas, criou as Legiões revolucionárias, e passou a governar com mãos de ferro, prendendo e reprimindo qualquer manifestante que se opusesse ao sistema. O tempo passou, e nada de Vargas convocar eleições, ou uma constituinte. Ao contrário disso, a repressão aumentou, mortes aconteceram (como as de Martins, Miragaia, Drausio e Camargo, no 23 de maio) e o descontentamento contra o governo cresceu.

Nasce um movimento envolvendo os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas, Paraná, Mato Grosso e Santa Catarina para derrubar Getúlio e convocar eleições diretas e uma constituinte. A revolução foi marcada para o dia 14 de julho de 1932, quando as tropas dos estados deveriam se encontrar nas divisas com são Paulo e  mnarcharem juntas para o Rio de Janeiro.   

Porém, com a precipitação do movimento em 9 de julho por São Paulo, o Governo Provisório, agiu rapidamente, interveio nos estados que conspiravam, trocou alguns comandantes de exércitos e contando com o recuo de alguns dos envolvidos na conspiração, desmantelou as lideranças do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas e Paraná. 

São Paulo ficou sozinho. Cercado pelas forças federais, o estado, na época, foi acusado por Getúlio, em transmissões de rádio, de separatista e de tentar impor os valores da Velha República. Isso nunca aconteceu, mas foi a única forma encontrada pelo Governo Provisório para justificar em todo o país o ataque armado contra as forças paulistas que permaneceram estacionadas nas divisas do estado esperando o apoio prometido e que nunca chegou. 

 

Três meses

A Revolução, que durou três meses, foi uma epopéia que mobilizou homens, mulheres, idosos e crianças por todo São Paulo e custou quase duas mil vidas. 

A derrota do movimento de 32, que teoricamente se transformou em vitória com a Constituinte de 1934, tornou definitiva, com a implantação do Estado Novo em 1937, a maior verdade defendida pelos lideres revolucionários derrotados naquela ocasião: Getúlio queria governar sob regime ditatorial.

Os ideais da Revolução de 32 somente puderam ser alcançados pelo país em 45, com o fim da ditadura do Estado Novo. 

É chegada à hora de se levar a sério o Movimento de 32. Aquela Revolução mostrou que toda vez que houver a tentativa de imposição ditatorial no país, haverá resistência profunda nos Estados mais desenvolvidos, aqueles que não se deixam controlar de maneira humilhante. 

E São Paulo, embora sozinho, manteve firme sua palavra até o fim.

(H.M)

   

Revista Cidade

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