Trens turísticos podem ser uma alternativa para o futuro da cidade

18.07.2016
Trens turísticos podem ser uma alternativa para o futuro da cidade

A retirada dos trilhos do centro da cidade já é debatida há anos, mas ainda há tempo para que as autoridades decidam adotar trens turísticos em Araraquara 

Redação

Berço da Estrada de ferro Araraquara (EFA), e com forte tradição ferroviária, Araraquara está em vias de ter retirado definitivamente o tráfego ferroviário do centro da cidade, o que deve acontecer tão logo sejam construídas as novas oficinas do novo Pátio de manobras recentemente inaugurado em Tutoia.

Com isso, pela primeira vez em mais de 100 anos, Araraquara deixará de ter as composições ferroviárias cruzando sua área central, o que permitirá a retirada dos trilhos do espaço remanescente, e permitirá o nascimento de uma nova era na sua história.

A grande questão que se apresenta as autoridades, no entanto, é o destino que se dará aos quase um milhão de metros quadrados atualmente ocupados pela ferrovia, e que depois disso ficarão ociosos. O problema já está sendo discutido por uma comissão recentemente criada na Câmara, e em breve os novos planos deverão ser divulgados na cidade.

E dentre as tantas propostas que devem surgir, bem que se poderia debater a possibilidade de se manter parte dos ramais atualmente existentes para a implantação de linhas turísticas na cidade, com composições puxadas por antigas locomotivas, como Marias Fumaças, por exemplo, ou mesmo as movidas a diesel.

A medida fomentaria do turismo na cidade, atrairia milhares de pessoas a nossa antiga estação e representaria ganhos ao comércio, ao setor hoteleiro, além de honrar as tradições ferroviárias de Araraquara e de nossa gente.

Projeto semelhante foi implantado anos atrás em Jaguariúna e Campinas, para onde foi levada uma Maria Fumaça que chegou a ser utilizada em Araraquara para passeios durante algum tempo, e é sucesso absoluto de público.  

Criado pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), o projeto integra hoje as principais ações desenvolvidas no estado de são Paulo na área do turismo ferroviário, atraindo pessoas de todo o País para seus passeios e antigas estações – todas mantidas em ótimo estado de conservação, e algumas com museus ferroviários instalados.

Saiba mais

A Associação Brasileira de Preservação Ferroviária é uma entidade civil sem fins lucrativos de cunho histórico, cultural e educativo, que é reconhecida como OSCIP – Organização Social de Interesse Público (publicado no D.O.U. de 24 de dezembro de 2004). Sua missão é promover o resgate e a conservação do patrimônio histórico ferroviário brasileiro, disponibilizando os bens à visitação pública, desde que a conservação do bem não seja colocada em risco.

Uma forma de visitação é através de uma viagem nos trens de passageiros resgatados e reformados por ela. A operação destes trens é realizada pelos Museus Dinâmicos situados nas cidades Apiúna-SC, Campinas-SP, Passa Quatro-MG, Piratuba-SC, Rio Negrinho-SC, São Lourenço-MG, São Paulo-SP e Vila de Paranapiacaba em Santo André-SP.

Nos Museus Dinâmicos estão abrigados vários tipos de locomotivas a vapor, vagões de carga e carros de passageiros de valor histórico. Adicionalmente, os museus exibem toda a estrutura que compõe uma ferrovia, desde as estações ferroviárias com seus equipamentos telecomunicação e sinalização até a própria via permanente (linha do trem).

Os trens de passageiros da ABPF utilizam locomotivas e carros antigos, todas restaurados por associados e colaboradores. Durante a viagem, os visitantes têm a oportunidade de vivenciar o meio de transporte utilizado por nossos antepassados, recebendo explicações sobre o funcionamento de uma locomotiva a vapor e ouvindo informações históricas relevantes.

Todas as atividades desenvolvidas pela ABPF, dentre elas a operação das composições ferroviárias dos Museus Dinâmicos são realizadas pelos associados da ABPF na forma de trabalho voluntário. Uma observação: os voluntários têm as mais variadas formações e ocupações, sendo alguns ferroviários da ativa e aposentados.

Adicionalmente a isso, a ABPF conta com as importantes colaborações financeiras dos associados e da colaboração de empresas parceiras, que têm um papel importante nas realizações da associação.

História:

Fundada em 1977 pelo francês Patrick Henri Ferdinand Dollinger, a ABPF reúne interessados na preservação, resgate, restauro e divulgação da história da ferrovia brasileira. Patrick era apaixonado por locomotivas a vapor e ferrovias e preocupado com o abandono da história ferroviária brasileira, resolveu criar uma entidade de preservação, nos moldes das existentes na Europa e Estados Unidos.

Para contatar pessoas interessadas em realizar este sonho, publicou em fevereiro de 1977 um pequeno anúncio no jornal “O Estado de São Paulo”.

Apenas duas pessoas responderam ao anúncio, Sérgio José Romano e Juarez Spaletta. Os três passaram, então, a fazer contatos com pessoas de mesmo ideal, de forma que em 4 de setembro de 1977 foi possível realizar a assembleia de fundação da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. Nesta assembleia, com apenas 14 pessoas foi fundada a ABPF.

A primeira ação da ABPF foi instituir uma campanha nacional para impedir o sucateamento de locomotivas a vapor. Com isto, a entidade conseguiu o apoio da Rede Ferroviária Federal S. A, que de uma só vez cedeu a ABPF 13 locomotivas a vapor desativadas.

A segunda grande ação foi conseguir um ramal desativado para colocar este material. Depois de um levantamento de trechos desativados no Estado de São Paulo, Patrick optou pela antiga linha tronco da Cia. Mogiana, entre Anhumas (Campinas) e Jaguariúna recém desativado.

E em 1979 a FEPASA – Ferrovias Paulistas S.A, também ofereceu apoio, e cedeu em comodato, este trecho de 24 km. Ali então iniciou-se o trabalho árduo de recuperação da via, recuperação de locomotivas, carros de passageiros, vagões e estações, trabalho que existe até hoje. Até que em setembro de 1984 foi definitivamente criado o Museu Ferroviário, chamado de Viação Férrea Campinas-Jaguariúna – VFCJ.

Infelizmente, Patrick Dollinger não viu o seu sonho ser realizado por completo. Falecendo no dia 17 de julho de 1986.

Hoje a ABPF é uma grande Associação (OSCIP), com aproximadamente 4000 sócios, com regionais e núcleos espalhados por todo pais, restaurando e operando trens turísticos em vários estados.

Conheça mais sobre como funcionam os trens turísticos no site http://www.mariafumacacampinas.com.br/

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