Tranquila, primeira semana de flexibilização gera otimismo em Araraquara

06.06.2020
Tranquila, primeira semana de flexibilização gera otimismo em Araraquara

A primeira semana da flexibilização do comércio em Araraquara chega ao fim, e apesar de muita tentativa de pressão e agressões verbais distribuídas pelas redes sociais por parte de grupos contrários a reabertura das lojas, a cidade venceu os primeiros dias com os comerciantes e comerciários obedecendo as regras com toda a rigidez esperada pela municipalidade. Não houve incidentes.

Não se vê mais pessoas sem máscaras pelas ruas, e nas filas de supermercados, mesmo em seus corredores e gôndolas, já se nota os clientes evitando proximidade com outros clientes.

Outro dado importante a ser observado, e apesar de tudo o que se falou nos últimos dias, é que mesmo nas filas organizadas diante de estabelecimentos comerciais nesta primeira semana de flexibilização da economia, houve a preocupação dos comerciantes e comerciários em orientar os consumidores a guardar distância, não se verificando qualquer ocorrência contrária. 

"As pessoas estão conscientes dos riscos e não causam problema algum quando orientadas. Todos ouvem e fazem o que pedimos", explicou o gerente de uma loja de calçados de um tradicional corredor comercial da cidade. 

O estabelecimento trabalha com uma fita fechando 90% do acesso ao seu interior, e mantém um funcionário controlando a entrada das pessoas, disponibilizando álcool gel e, no chão, um pano embebido com água sanitária.  A providência pôde ser notada em todos os estabelecimentos que abriram essa semana, sem exceção.

Citadas em reportagens publicadas durante a semana como causadoras de filas no início da semana, dois comércios de cosméticos do centro da cidade são daqueles estabelecimentos que mais cuidados tomaram, especialmente na organização das pessoas que aguardavam na calçada o momento de serem atendidas. 

A reportagem do Portal conversou com algumas dessas pessoas, e a quase totalidade delas era formada por profissionais da área de beleza, todas em busca de material para retornarem ao trabalho. As lojas trabalham com tinturas, esmaltes, cosméticos diversos, além de outros produtos para salões de beleza, cabeleireiro e estética. 

"O preço aqui é bem mais em conta do que em farmácias ou supermercados. Para quem trabalha na área, como nós, é bem melhor comprar aqui", explicaram duas irmãs que aguardavam na calçada. Elas também citaram o preço do álcool gel, que estava com preço abaixo do praticado pelos estabelecimentos considerados essenciais, únicas opções de compra antes do início do período de flexibilização.

 

Bares e restaurantes

Por outro lado, os bares e restaurantes visitados pela reportagem também funcionavam com rigorosos cuidados e seguindo à risca as normas e protocolos determinados pela Prefeitura.

As lanchonetes, por exigência do decreto de flexibilização, trabalham sem atendimento no balcão, e por isso mesmo, aqueles que contam com maior espaço disponibilizaram mesas para seus clientes, enquanto outros se limitam a atender os consumidores das portas, com faixas fechando o acesso ao seu interior.

Já os barzinhos e restaurantes que abriram nessa primeira semana sofreram com o baixo número de clientes, mas todos seguindo rigorosamente as regras sanitárias e de proteção aos clientes e funcionários. As mesas estão dispostas a dois metros umas das outras, e mesmo naqueles estabelecimentos com salões maiores, nota-se um número menor de garçons no atendimento.

Em um dos estabelecimentos visitados pela reportagem, as medidas tomadas eram ainda mais restritivas do que as previstas pelas regras baixadas pelo município. Na porta, mesa com álcool gel, papel toalha, e no chão, pano embebido com água sanitária. Dentro do barzinho, o salão de considerável tamanho acomodava apenas cerca de 20 mesas, mesmo com espaço suficiente para mais delas.

"Optamos por receber menos do que os 40% de clientes autorizados, e estamos orientando as pessoas a ficarem de duas em duas nas mesas. Sabemos que membros da mesma família podem ficar juntos, mas ainda assim, quando são adultos, pedimos que fiquem separados. Isso evita problemas e fica mais fácil para orientarmos grupos maiores a se separarem", explicou o proprietário do local, que se mostrou bastante aliviado com a reabertura. O lugar, que antes da pandemia empregava 30 pessoas, trabalha hoje com 12.

"Ainda ontem chegaram boletos e taxas para pagarmos. Só essa semana foi quase R$ 8 mil, e estávamos fechados. Como é possível aguentarmos mais tempo?", apelou.

"Não dá para entender onde esse pessoal que fica nos acusando de tudo o que é feio nas redes sociais pretende chegar. É desumano o que essas pessoas estão fazendo. É terrorismo. Nós queremos trabalhar, mas com responsabilidade e tomando todos os cuidados para fazermos isso com segurança e, principalmente, paz. Espero que a Prefeitura não se deixe levar por essa gente. Ninguém aguenta mais tempo fechado", afirmou. 

Revista Cidade

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