Semana do 56º Núcleo MMDC entra para o calendário de eventos do município

07.12.2017
Semana do 56º Núcleo MMDC entra para o calendário de eventos do município

Prefeito sancionou lei de autoria dos vereadores Cabo Magal Verri e Tenente Santana, que também cria honrarias em homenagem aos araraquarenses mortos em batalha durante a Revolução de 32

O prefeito Edinho sancionou nesta quarta-feira (6) a lei que inclui no Calendário Oficial de Eventos do Município a Semana do 56º Núcleo MMDC “Heróis de Araraquara”, a ser comemorada anualmente na semana do dia 9 de julho (dia da Revolução Constitucionalista de 1932). A autoria da lei é dos vereadores Cabo Magal Verri (PMDB) e Tenente Santana (PMDB).

A lei também oficializa as Condecorações do Mérito Constitucionalista de 1932, que têm objetivo de homenagear as pessoas que contribuem para a preservação da memória da revolução: Colar Heróis de Araraquara, Medalha Tenente Joaquim Nunes Cabral, Medalha Sargento Waldomiro Machado e Medalha Cabo Augusto de Moraes.

 

Preservação da memória

“Relembrar a história é sempre muito importante para que, inspirados nesses feitos, possamos lutar todos os dias para que a liberdade continue norteando os nossos destinos. Parabéns ao Cabo Magal Verri e ao Tenente Santana pelo projeto”, afirma o prefeito.

“É muito importante instituir esse dia no calendário municipal para não deixarmos a história morrer, além de ser um ato de respeito a todos que perderam suas vidas nessa importante revolução", diz Tenente Santana.

Para o vereador Cabo Magal Verri, os acontecimentos de 1932 são "uma página importante da história de São Paulo”. “Devemos manter viva a memória de todos os que combateram junto com Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo na Revolução de 1932”, afirma.

Também estiveram na sanção da lei o presidente da Câmara, Jeferson Yashuda (PSDB), os vereadores Paulo Landim (PT), Elias Chediek (PMDB) e José Carlos Porsani (PSDB), além do tenente-coronel Adalberto José Ferreira (comandante do 13º Batalhão de Polícia Militar do Interior), do major Paulo Henrique Jurisato, do Subtenente Galeani, do 1º Sargento Eudes e do jornalista Hamilton Mendes, um dos diretores do Núcleo MMDC.

 

Os homenageados

(por Hamilton Mendes)

As medalhas criadas na lei de autoria do vereador Cabo Magal Verri, com parceria do também parlamentar Tenente Santana e sancionada pelo prefeito Edinho Silva, homenageiam três, dos oito voluntários araraquarenses mortos em batalha durante a Revolução de 1932, e eternizados como heróis da cidade na placa instalada no Monumento ao Soldado Constitucionalista, hoje localizado na 1ª rotatória da avenida Bento de Abreu. O Monumento já foi um Mausoléu, e ficava logo após a antiga entrada principal do Cemitério São Bento (portão pequeno localizado diante da Avenida Portugal). 

Porteiro do Hotel Municipal, e militar, Waldomiro Machado apresentou-se como voluntário, seguindo para lutar na frente sul do estado, quando em renhida batalha foi atingido na altura do ombro direito por um tiro de fuzil. O projétil arrancou-lhe o braço, causando sua morte pouco depois.

Já o Tenente araraquarense Joaquim Nunes Cabral e o Cabo Augusto Moraes perderam a vida juntos, em uma situação que registra bravura, coragem e uma tragédia pessoal impossível de mensurar. 

Também lutando na frente sul, ambos viram sua guarnição cercada por tropas adversárias em uma posição abaixo de uma elevação. A única alternativa para não serem aprisionados seria todo o grupo conseguir recuar para trás do morro, onde poderiam se entrincheirar e segurar o avanço adversário.

Com isso em mente o Tenente Joaquim Nunes Cabral pediu que seus companheiros recuassem, comunicando que ele ficaria na posição, garantindo a tiros a ação do grupo. Foi então que o Cabo Augusto Moraes se negou a cumprir a ordem, permanecendo ao lado do tenente durante a refrega. 

Moraes se entrincheirou lado a lado com o araraquarense e ambos iniciaram uma intensa troca de tiros com as tropas adversárias, chamando a atenção para sua posição e permitindo, com isso, salvar os demais membros da guarnição, que recuaram e se entrincheiraram atrás do morro, onde permaneceram até o fim da Revolução. 

Cercados, o tenente e o cabo acabaram abatidos durante o tiroteio. Foram enterrados juntos e exatamente onde tombaram.

Depois da Revolução, quando a Prefeitura de Araraquara reclamou os corpos dos araraquarenses mortos em combate, não foi possível separar os despojos do Tenente Joaquim Nunes Cabral e do Cabo Augusto Moraes, que acabaram se misturando durante o processo de decomposição. Decidiu-se então trazer os dois para Araraquara e enterrá-los juntos, ao lado dos demais heróis da da cidade, no interior do Mausoléu, na época localizado no Cemitério São Bento, hoje Monumento ao Soldado Constitucionalista, instalado na Avenida Bento de Abreu.

Augusto Moraes, portanto, não é de Araraquara e sua origem é desconhecida até os dias de hoje. Sua saga e bravura, no entanto, foram reconhecidas pela Prefeitura e pelos cidadãos da Araraquara dos anos 30, que lhe emprestaram honras de herói e lhe deram o repouso eterno em terras araraquarenses. A tragédia, no entando, é que uma família, em algum lugar no estado, não recebeu seu filho de volta e nada sabe sobre seu destino. 

Araraquara, porém, soube honrar a memória desse homem, hoje justamente homenageado e lembrado pelo Núcleo MMDC de Araraquara

 

Texto: Setor de Comunicação da Prefeitura de Araraquara, com informações do jornalista Hamilton Mendes

Revista Cidade

Publicidade

Brasil