O fim da CTA

10.07.2015
O fim da CTA

No ano em que deveria comemorar 57 anos de sua fundação a Companhia Troleibus de Araraquara (CTA), até há poucos anos tida como modelo em transporte coletivo para todo o País, agoniza em meio a muitas dívidas, inúmeras ações judiciais, e convive com uma frota sucateada e a cada dia menor.

Orgulho de Araraquara e dos araraquarenses por décadas, a empresa, que nasceu em 1959 como uma das primeiras das Américas, e a 1ª do interior brasileiro, a adotar o ônibus elétrico para o transporte coletivo, sempre primou pela pontualidade, presteza no atendimento aos usuários, excelente condição de seus carros (sempre com a manutenção em dia), e invejável condição de trabalho aos seus funcionários.

Administrada com zelo e extrema competência, a CTA manteve por muitos anos uma grande área técnica onde coletivos chegaram a ser montados, outros reformados por inteiros, e ainda outros passavam por manutenções, ou consertos, de toda a espécie.

Fruto da “modernização” das relações, da modernização do mercado, ou seja, lá do que for a verdade é que a quebradeira que se abateu sobre a CTA tem muito a ver com o inchaço de sua estrutura, e do gradativo abandono dos cuidados necessários ao bom funcionamento de setores fundamentais da empresa. E diante disso, não há empresa que resista.

O resultado foi uma CTA que há anos acumula números vermelhos em suas contas, o que só veio crescendo, até resvalar na absurda situação de sequer ter crédito para adquirir pneus para seus veículos. Ou, até mesmo, de, por ordem judicial, ter alguns carros disponibilizados em leilão para pagamento de dívidas.

O pior, no entanto, não é ver a CTA sucumbir e desaparecer (nos moldes em que todos estavam acostumados a conhecê-la) diante de nossos olhos e com tamanha velocidade. O pior é saber (e ver), que outras empresas (particulares) que operam na cidade e na região, ao contrário dela, tem lucro, trabalham com carros novos e seguem crescendo e visualizando dias ainda melhores nos anos que se avizinham.

Por que será?

HM

 

A CTA e os Troleibus

Fruto da visão empreendedora do então prefeito municipal, Romulo Lupo, A CTA nasceu em 1959, no exato momento em que o País se industrializava e as cidades cresciam em importância. Decidido a implantar o ônibus elétrico como transporte coletivo na cidade – modelo que ele conheceu na Itália – o prefeito conseguiu autorização da Câmara e concedeu o serviço para a iniciativa privada em dezembro de 1958, através de uma lei que autorizava concessão por 50 anos à companhia araraquarense que se organizasse para a exploração do transporte coletivo urbano da cidade.

No dia 31 de agosto de 1959 se realizou a Assembleia Geral de Constituição da Companhia Tróleibus Araraquara onde os subscritores de ações da Sociedade Anônima se organizaram para atividade de transporte coletivo, e a CTA começou a operar em 27 de dezembro daquele ano, com os sete veículos nacionais Grassi/Villares, na versão mais curta.

Depois de mais de 30 anos operando na cidade, os ônibus elétricos saíram de circulação nos anos 90, em função do fim do subsídio à energia elétrica e ao alto custo das peças que eram feitas sob encomenda.

No ano de 1995, por exemplo, havia apenas 27 ônibus elétricos operando em três linhas e, no final de 1999, a operação do sistema foi suspensa. Uma das linhas foi reativada em março de 2000, mas acabou sendo suspensa definitivamente em novembro do mesmo ano. Todas as linhas foram substituídas por ônibus movidos a diesel.

 

Revista Cidade

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