MMDC de Araraquara realiza cerimônia ao 23 de maio no Sesc

23.05.2019
MMDC de Araraquara realiza cerimônia ao 23 de maio no Sesc

Fundado por policiais militares em 29 de novembro de 2016 com o intuito de manter viva a memória da geração de araraquarenses que pegou em armas pela democracia durante o processo revolucionário de 1932, o 56º Núcleo do MMDC Heróis de Araraquara realiza nesta quinta-feira, 23, a partir das 19h30, no auditório do Sesc Araraquara, a Cerimônia em comemoração ao 23 de maio.

Terceiro evento oficial da data realizado pelo Núcleo MMDC local desde sua fundação, a cerimônia deste ano será marcada pela entrega das duas primeiras medalhas criadas oficialmente pelo organismo araraquarense, e oficializadas por decreto pelo Governo do Estado no ano de 2018.

Idealizadas tendo como denominação verdadeiros heróis da cidade, ou tombados em batalha, caso da medalha Sargento Valdomiro Machado, ou pelos relevantes serviços prestados à causa da Revolução, caso da medalha Dna May de Souza Neves, as duas condecorações integram o cerimonial do evento pela primeira vez na história.

Funcionário da Estrada de Ferro Araraquara (EFA), e porteiro do Hotel Municipal, Valdomiro Machado era um jovem muito querido na cidade nos idos anos 30, e se apresentou como voluntário para lutar contra a ditadura do Governo Provisório, em 1932. Destacado para lutar nas frentes de Buri, sul do estado, Valdomiro Machado foi atingido por um tiro de fuzil que lhe arrancou um braço, morrendo onde tombou.

Dna. May de Souza Neves, por sua vez, era esposa do médico e fazendeiro Dr. Camilo Gavião de Souza Neves, e logo após a deflagração do processo revolucionário em São Paulo decidiu, com o apoio do marido, seguir para São Paulo e atuar no Serviço Hospitalar para o Soldado Constitucionalista. Dna May seguiu de trem para a capital, ao lado de outros voluntários da cidade, no dia 14 de julho de 1932.

Rica, a história da participação de Araraquara no conflito envolve a mobilização de toda a população em torno da causa, com doações de alimentos, valores e objetos diversos, fabricação de roupas e uniformes, dentre outros para abastecer os contingentes paulistas. Tudo, pela construção de um Brasil justo e democrático.

Daqui partiram para os campos de batalha 541 homens, além de Dna. May. Seis de nossos voluntários perderam a vida em batalha, mas oito homens (um morreu de acidente automobilístico durante licença) ficaram para a história como mártires de Araraquara no conflito: Tenente Joaquim Nunes Cabral, Waldomiro Machado, José Cesarini, Bento de Barros, Joaquim Alves, Diógenes Muniz Barreto, além de Otávio de Oliveira Ameduro e Augusto Moraes.

 O MMDC tem três datas oficiais em seu calendário, o 23 de maio, dia em que os jovens Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram assassinados por agentes da ditadura durante um protesto no centro de São Paulo (* e mais tarde emprestaram as iniciais de seus nomes para a criação do MMDC), o 9 de Julho, data da deflagração da Revolução de 32, quando paulistas pegaram em armas pela convocação de uma Constituinte e pela implantação do estado democrático no País, e o 3 de outubro, data que marca o último dia do conflito armado. O evento de outubro é realizado em Araraquara no mês de novembro, também como comemoração apo aniversário de fundação do Núcleo do MMDC local.

O primeiro evento do Núcleo aconteceu no dia 22 de maio de 2017, quando com a presença do Coronel Ventura, presidente do MMDC do estado, o organismo local foi oficialmente instalado em Araraquara.

Revista Cidade

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