Gigantão completa 50 anos nesta sexta (11)

09.10.2019
Gigantão completa 50 anos nesta sexta (11)

Prefeitura organiza atividade em comemoração pelo cinquentenário do Ginásio de Esportes 'Castello Branco', popularmente conhecido como Gigantão, e abertura da 49ª edição dos Jogos da Primavera

Projetado pelos engenheiros Luiz Ernesto do Valle Gadelha e Jonas Faria, a partir de 1966, para ser referência esportiva no interior paulista, o Ginásio de Esportes Castello Branco (Gigantão) ao longo de cinco décadas, que serão completadas na próxima sexta-feira (11), tornou-se o placo das emoções de Araraquara.

A solenidade terá início às 19h e haverá homenagens aos que contribuíram para execução da obra e para a história de um dos equipamentos públicos mais importantes e simbólicos da cidade. A atividade marca também a abertura da 49ª edição dos Jogos da Primavera.

Dos 202 anos da cidade, fundada em 1817, 50 podem ser contados da quadra e das arquibancadas do Gigantão com os grandes momentos do basquete, vôlei, futsal, handebol, shows musicais e de entretenimentos e até apurações de votos de eleições.

A inauguração naquele 11 de outubro de 1969, pelo então prefeito Rubens Cruz, encheu de orgulho os araraquarenses e motivou ainda mais os atletas da Comissão Central de Esportes (CCE), que se preparavam para os 34º Jogos Abertos do Interior.

Depois dos Jogos Abertos vieram o Campeonato Feminino de Basquete (1971), Campeonato Sul Americano de Basquete Juvenil Masculino (1975), campeonatos paulistas e nacionais de vôlei com a equipe Lupo Náutico (década dos anos 1990), campeonatos paulistas e nacionais de basquete (Uniara).

"Minha maior emoção no Gigantão foi narrar a vitória do Brasil na final do Campeonato Sul Americano Juvenil, diante da Argentina, para a Rádio Voz Araraquarense e em cadeia com várias rádios da América do Sul", relata o jornalista Wilson Silveira Luiz, de 81 anos.

Paralelamente às disputas esportivas, a quadra ostentou o palco de Roberto Carlos, Milton Nascimento, Simone, RPM de Paulo Ricardo, Raul Seixas, Mamonas Assassinas, Angélica, Gal Costa, Gilberto Gil, Titãs, Roupa Nova, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Beto Guedes, Guilherme Arantes, João Mineiro e Marciano, Chitãozinho e Xororó Ney Matogrosso, dentre tantos outros artistas do cenário nacional e mundial.

"Eu me recordo dos shows de Gal Costa, Simone e Milton Nascimento. Principalmente pela qualidade acústica do Milton. Antes dele, o ginásio era um desafio para os técnicos de som e isso foi superado", recorda o aposentado Salomão Alves.  

Além dos ícones da MPB, o Gigantão acolheu a patinação artística dos Periquitos em Revista da Sociedade Esportiva Palmeiras (SP), o espetáculo Holliday On Nice, a orquestra e o maestro Ray Coniff, os Trapalhões de Renato Aragão.

A economia da cidade teve parte de seu fomento no Gigantão com a primeira Feira Agroindustrial da Região de Araraquara (1971) e outras que se sucederam até a criação da atual Facira, retomada em 2017 pelo prefeito Edinho.

Em 2013, remodelado com recursos federais, estaduais e do município, o Gigantão volta às origens, ou seja, esta sempre à disposição dos atletas, inclusive com moderna academia de musculação, inaugurada em 2018.

A comemoração dos 50 anos também coroa o bom momento do esporte araraquarense, segundo o secretário Everson Miguel Inforsato, o Dicão. "Nós temos muito o que comemorar, principalmente a estrutura do Gigantão para treinamentos e competições e o conforto para o torcedor. E nossas equipes de alto rendimento disputando campeonatos paulistas e nacionais de basquete, futsal e handebol", afirmou Dicão.

 

O início

A empresa Domus contratada, em 1967, pelo então prefeito Rômulo Lupo para construir o Gigantão realizou as fundações e abandonou a obra.

Lupo cumpriu seu mandato e Rubens Cruz assumiu a prefeitura no início de 1969 com a importante missão de terminar o ginásio, em nove meses, a tempo para a 34ª edição dos Jogos Abertos do Interior.

Cruz formou uma comissão técnica, com os engenheiros Roberto Massafera e José Henrique Albiero e o arquiteto Nelson Barbieri para finalizar o ginásio, que já tinha 80% do projeto concluído.

Pedreiros, carpinteiros, serventes trabalharam em três turnos para levantar o gigante de concreto armado com 60 metros de vão livre. Ao todo, mais de 300 homens se empenharam e entregaram o ginásio pronto, no dia 11 de outubro de 1969, a uma semana da abertura dos Jogos Abertos.

"Eu tenho orgulho de ter trabalhado no bate estaca na fundação do Gigantão. Foi tudo concretado de carriola, foi no braço mesmo!", conta o aposentado Antônio Navarro, de 70 anos.

Revista Cidade

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