Ex-ministro diz que governo Bolsonaro é autoritário e acusa presidente de ter envolvimento com milícias

13.11.2019
Ex-ministro diz que governo Bolsonaro é autoritário e acusa presidente de ter envolvimento com milícias

Em entrevista ao Portal Cidade Araraquara e ao jornal O Imparcial, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma, e atual presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, criticou fortemente as medidas econômicas do governo federal, afirmou que o governo Bolsonaro é autoritário e coloca as instituições democráticas em risco, e acusou o presidente de envolvimento com milicianos no estado do Rio de Janeiro. 

Confira abaixo alguns dos principais pontos da entrevista: 

Os Bolsonaro se matam entre eles

O ex-ministro Carlos Lupo disse ainda ao O Imparcial que o governo Bolsonaro é um retrato do comportamento de sua família - leia-se, filhos - e dos conflitos que eles se envolvem. "O governo Bolsonaro se dá na sua família, no partido e na rua. Eles não precisam, de oposição. Bata que a imprensa entreviste um dels por dia e eles mesmo se derrubam", afirmou.

 

Paulo Guedes não dará conta

Falando sobre a equipe econômica do governo Bolsonaro, Lupi afirmou à coluna Painel que mesmo tendo no governo um homem vindo do sistema financeiro e bastante respeitado no meio, o ministro Paulo Guedes, "...homem de confiança dos banqueiros....", o que ele quiser fazer ao sistema que representa, terá muitas dificuldades para executar, porque tem pela frente o presidente Bolsonaro e seu comportamento imprevisível. "Não tem controle, não tem como tirar o presidente do jogo. E ele não garante estabilidade", cravou.

 

Autoritarismo

Comentando sobre como a classe política, especialmente a esquerda brasileira vê o governo atual, Lupi afirmou que é todos o veem, antes de tudo, com muita tristeza. Para ele, o governo Bolsonaro coloca em risco as instituições, é uma ameaça concreta ao sistema democrático, e seu comportamento, que seria pautado pelo "ódio, radicalismo e homofobia", faz dele um governo fortemente autoritário. "Isso desmoraliza o Brasil", disse Lupi, afirmando que basta andar por qualquer país do mundo civilizado para checar que o Brasil está sendo ridicularizado lá fora. "E isso é grave".

 

Não acabaram os privilégios 

Falando sobre a Reforma da Previdência, apresentada na grande imprensa como primeira grande vitória do governo Bolsonaro, o ex-ministro do trabalho chamou a atenção para o fato de que ela não tirou qualquer privilégio daquelas classes mais favorecidas, leia-se, judiciário e parlamentares, dentre outros. "O governo não mexeu com os marajás do poder judiciário, onde tem juiz ganhando mais de R$ 200 mil reais. Não mexeu as assembleias Legislativas, com os Tribunais de Contas. São gente poderosa", falou. Afirmando que mais 80% dos penalizados com a Reforma, foram os cidadãos comuns que ganham até R$ 3 mil reais e as pensionistas, que perderam 40% de sua pensão. "Esse é o cerne da questão", concluiu.

 

Envolvimento com milicianos

E dentre tantas afirmações fortes, Lupi não economizou palavras ao falar do futuro político do presidente Bolsonaro. Segundo ele, que está radicado no rio de Janeiro há muitos anos, logo, logo devem acontecer muita revelação de milicianos sobre a vida política do clã. "São alianças eleitorais entre os Bolsonaro e os milicianos.....ele só entrava em algumas áreas do Rio de Janeiro porque tem envolvimento...e quem são eles? São policiais que atuam em hora de folga, alguns na ativa, outros aposentados....... Administram o "gato net", "a venda de gás", "o Uber"..." os mototaxistas"..."os bailes funk"......tudo o que você possa imaginar eles controlam..e eles fazem isso em troca de proteção....isso vai estourar", afirmou Lupi. Que concluiu: "Quando puxar o fio disso aí não fica pedra sobre pedra. Ele tem uma caneta carregada, é o presidente, mas não vejo como ele possa completar os 4 anos. Não estou otimista, não", afirmou.

Revista Cidade

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