Especial de Aniversário 202 anos de Araraquara - 6ª parte

22.08.2019
Especial de Aniversário 202 anos de Araraquara - 6ª parte

Por Hamilton Mendes

 

A grande obra

No ano de 1902 era fundada a Santa Casa de Misericórdia de Araraquara. Na época, a arte fotográfica no município, trazida por imigrantes, sobretudo italianos, tinha uma técnica que produzia fotos no estilo cartão postal no tamanho 6X5 montados em uma espécie de papel cartão um pouco maior que as fotos, normalmente feitas para presentear alguém.

Poucos anos depois, Afonso Pena implantou o Plano de Valorização do café, comprando toda a safra do produto para armazená-la e vende-la quando o preço estivesse em alta. O período foi de grandes ganhos financeiros para Araraquara, já que a economia da cidade era impulsionada pela fruta.

Em 2 de março de 1907 foi autorizada a abertura de concorrência para a iluminação elétrica  de Araraquara. Em 21 de agosto do mesmo ano a Câmara aceitou a proposta recebida para fornecimento de luz elétrica para a Praça da Matriz.

Na Sessão da Câmara Municipal levada a efeito no dia 2 de setembro de 1908 foi aprovado em segunda discussão o projeto que autorizava o Prefeito a comprar um terreno destinado a construção da igreja Santa Cruz. Já em 1º de julho de 1909 decidiu-se pela ampliação dos serviços de calçamento dos passeios públicos para todo o centro da cidade. Também na época foi criada a “Empresa de Electricidade de Araraquara” que foi a responsável pela iluminação elétrica da cidade.

 

Banco de Araraquara

No ano de 1911 foi fundado o Banco de Araraquara, que foi um dos grandes responsáveis pelos investimentos que fomentaram o comércio e a lavoura locais. Coube também ao Bando de Araraquara grande parcela de participação na construção da nova cidade que se construía. Em 10 de setembro de 1911 resolve-se criar a Linha de Tiro Cívica de Araraquara, hoje Tiro de Guerra. A Linha entra em atividade no início de outubro.

Também em 1911, em reunião realizada na sede do Clube araraquarense no mês de novembro, é formada a Sociedade Anônima Teatro Municipal. As obras para a construção da casa de espetáculos se iniciam já no princípio de 1912. Já em 27 de junho de 1912, a Câmara Municipal expediu ofício a Prefeitura autorizando a reforma do prédio onde funcionava a cadeia local para adaptá-lo de forma a que pudesse receber as instalações da Câmara Municipal. Trata-se do mesmo prédio onde hoje se encontra o Museu Voluntários da Pátria.

 

1ª Grande Guerra

Em 1914 estoura a 1ª Guerra mundial na Europa. Bazares de Araraquara começam a vender enormes mapas onde, com alfinetes, os araraquarenses da época acompanhavam o desenrolar do conflito. Em 18 de agosto do mesmo ano é fundada a Beneficência Portuguesa. No ano de 1915, a população exigia a construção de um mercado. Em fevereiro do mesmo ano é inaugurado o prédio onde hoje funciona a Casa da Cultura, com a abertura do Araraquara College no local.

É também em 1915 que se dá a inauguração do Teatro Municipal de Araraquara, que foi construído no mesmo lugar onde hoje está o prédio da Prefeitura. A beleza de suas formas, suas luminárias, salas e gabinetes eram deslumbrantes. Sua inauguração foi um caso a parte da história de Araraquara. A cidade mudava rápido.

 

Linha de tiro Cívica (nasce o Tiro de Guerra)

Em 1917 o Brasil vivia uma grande crise com greves por todo o país. Em Araraquara, ao contrário, tudo ia muito bem. Em outubro daquele ano a Linha de Tiro Cívica de Araraquara foi incorporada ao exército e recebe a designação numérica 610, passando a se chamar Linha de Tiro nº.610. Começa o Serviço Militar obrigatório em Araraquara. Aqui, no entanto, eram realizados os sorteios que determinavam quem iria prestar o exército, porém, o jovem sorteado fazia o serviço em quartéis de fora. 1917 marca também a realização da 1º Feira Livre realizada no município, e ela se dava na Praça Municipal. Em 1918 é inaugurado o Hotel Municipal.

 

Banda larga e Posto de “Zootechinia”

Com a eleição de Epitácio Pessoa para a Presidência (1919-1922), foram substituídos todos os militares que ocupavam cargos no ministério, incluindo-se os ministérios da Guerra e da Marinha. A atitude de Epitácio desagradou bastante aos militares e a crise que o país já vivia se agravou.

Em 1º de agosto de 1920 é criado em Araraquara, por iniciativa do vereador Francisco Vaz Filho, o “Posto Zootechinico Municipal”. Um ano depois, é criada pela Câmara Municipal a Escola Normal de Artes e Ofícios que concedia diplomas de professores em diversas áreas técnicas, gerando empregos no município.

Em 1922 a Câmara autorizou despesa para propaganda da cidade em jornal da capital divulgando a inauguração da bitola larga da Cia. Paulista por aqui. No mesmo ano estoura a 1ª rebelião Tenentista no rio de Janeiro.

 

Revolução de 1924

Em Sessão da Câmara Municipal realizada em 1º de julho de 1923 foi instituído o premio Plínio de Carvalho e Bento de Abreu Sampaio Vidal aos alunos da escola de Farmácia e Odontologia de Araraquara. No mesmo ano a Prefeitura foi autorizada a adquirir um gabinete dentário elétrico para a escola. Um ano depois, em 1924, a Linha de Tiro Nº.610 da cidade pede pela primeira vez auxílio a municipalidade.

Em 5 de julho daquele ano estoura a Revolução de 1924 em São Paulo, quando os Tenentistas tentaram derrubar o Presidente do Estado Carlos de Campos. Com a enérgica reação das tropas legalistas, os insurretos fogem pelo interior do estado. Em sua retirada, passam por Araraquara onde são apoiados por parte da classe política local. O Prefeito Plínio de Carvalho foge da cidade.

 

Comércio e Usina de leite

Pelo Projeto de Lei Nº.36, a Câmara Municipal de Araraquara determina o fechamento do comércio aos domingos na Sessão de 1º de dezembro de 1925. Em 1926, o Presidente da República eleito, Dr. Washington Luis, assume sob grave crise financeira e política. Naquele mesmo ano, pelos Projetos de Lei N°.37 e 38, a Câmara autorizava ao Prefeito Municipal “..conceder auxílio de 10 contos de réis a quem fundar, e manter nesta cidade....”,  uma Escola de Belas artes e um Conservatório Dramático e Musical, respectivamente.

Já em 18 de junho de 1928, pelo artigo 23, do substitutivo do Projeto de Lei Nº.51 que tratava da instalação da Usina de Leite na cidade, a Câmara decidiu obrigar que todos os estabelecimentos da cidade adquirissem o produto somente da Usina do município e mantivessem o mesmo em vasilha selada e em local de baixa temperatura.

 

Revista Cidade

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