Especial de Aniversário 202 anos de Araraquara - 5ª parte

22.08.2019
Especial de Aniversário 202 anos de Araraquara - 5ª parte

Por Hamilton Mendes

 

Lei do ventre livre

No ano de 1871 foi promulgada a Lei “Visconde do Rio Branco”, ou Lei do Ventre Livre, que estabelecia que todos os filhos de escravos seriam considerados livres. A lei previa, também, que os proprietários de escravos deveriam criá-los até atingirem 8 anos de idade, quando poderiam entregá-los ao governo e receber uma indenização, ou mantê-los até os 21 anos, utilizando seus serviços como forma de se ressarcir dos “gastos” pela sua criação.

Em 8 de setembro de 1873, foi lido ofício do Dr. Hermógenes Pereira de Queiroz e Silva que solicitava autorização para explorar ouro e prata em Araraquara. A Câmara informou nada saber sobre a existência destes metais. Já em 14 de maio de 1874, os vereadores dirigiram uma representação a S. Majestade pedindo que o traçado da “...estrada de Rio Claro ao Mato Grosso, do engenheiro Pimenta Bueno, passasse por esta Villa”.

 

Nomes de ruas

Na Sessão de 14 de julho de 1877 o vereador Carlos Baptista Magalhães indicou que se desse nomes a todas as ruas da Vila de são Bento de Araraquara. Aceita a proposta, as vias ficaram assim denominadas: Rua Santa Cruz, Rua do Comércio, Rua São Lourenço, Rua Luiz Pinto, Rua Ipiranga, Rua Formosa, Rua Sampaio, Rua Santo Antonio, Rua da Boa Morte, Rua das Flores, Rua São João Baptista, Rua 7 de Setembro, Rua Capitão Manuel Joaquim, Rua Dr. Candido, Rua São Phelipe e Rua José Inocêncio. Os Largos ficaram assim denominados: Largo Santa Cruz, Largo da Matriz e Largo da Boa Morte. O último é o Jardim da Independência, ou Jardim Público.

 

A Estrada de ferro chega na cidade

Pelo Decreto Nº.7.828 de 4 de outubro de 1880, foi feita a concessão para a construção de uma estrada férrea de Rio Claro a Araraquara ao engenheiro Dr. Adolpho Augusto Pinto, que mais tarde transferiu seus direitos ao Conde do Pinhal, que organizou a Companhia Rio Claro de Estradas de Ferro e construiu a estrada até São Carlos.

Em seguida, o conde veio até Araraquara onde se reuniou com ilustres locais e negociou ações da empresa no valor de 600 contos, com a promessa de trazer a estrada até nossa cidade. No ano de 1882 um grupo de notáveis da cidade se reuniu e resolveu criar um espaço para danças e jogos na cidade. Nascia o Clube Araraquarense.

Seu 1º prédio custou 20 contos de réis e foi inaugurado em 1885. Depois de instituir o Beneplácito, uma lei que previa o veto as Bulas Papais, no ano de 1885 D.Pedro-II respondeu as pressões dos abolicionistas com a lei Saraiva-Cotegipe, ou Lei dos Sexagenários, que estabelecia que quando completassem 65 anos de idade os escravos estariam em liberdade.

A lei foi chamada pelo pode de “A gargalhada nacional”. Em 18 de setembro de 1885, com muita festa, inaugurou-se o tráfego provisório do prolongamento da estrada de ferro entre São Carlos do Pinhal e Araraquara. A ferrovia chegava por aqui.

D. Pedro II em Araraquara

No dia 6 de novembro de 1886, Araraquara recebia a visita de D. Pedro-II. O imperador andou pela cidade, fez doações, almoçou na casa do Dr. Margarido da Silva, e explicou aos araraquarenses da época sobre o real significado da palavra Araraquara. Dois anos depois, em 13 de maio de 1888, pela lei Nº.3.353, a Princesa Isabel, que substituía interinamente o imperador D. Pedro-II, assinou a “Lei Áurea” que decretou o fim da escravatura no país.

 

Cidade de Araraquara

Pouco menos de um ano depois, em 6 de fevereiro de 1889, por intermédio de um decreto da Assembleia Legislativa Provincial assinado pelo Presidente da Província, a Vila de são Bento de Araraquara foi elevada a categoria de cidade.

A instalação oficial da “Cidade de Araraquara” se deu em 23 de fevereiro de 1889, em Sessão extraordinária da Câmara Municipal local. Nove meses depois, em 15 de novembro, foi proclamada a República no Brasil e D. Pedro-II, juntamente com toda a família Real e seus auxiliares foram expulsos do país.

Em 25 de janeiro de 1891 encerra-se o período do Governo Provisório e o Marechal Deodoro da Fonseca assume com 1º Presidente da República do Brasil. Meses depois, em meio a uma grande crise, Deodoro renunciou e entregou o poder ao Vice Presidente Floriano Peixoto.

 

A tragédia do linchamento

Os dois líderes políticos em Araraquara na época eram o Cel. Antonio Joaquim de Carvalho, Republicano, e o Coronel Joaquim Duarte Pinto Ferraz, Monarquista. Foi a partir de um conflito entre as duas facções que aconteceu a tragédia do linchamento dos Britos, acontecida na noite do dia em que foi rezada a missa de 7º dia da morte do Ce. Antonio Joaquim de Carvalho, assassinado a tiros de garrucha por Rosendo de Brito.

 

Cia. Estrada de Ferro Araraquara

No ano de 1896, por iniciativa de Carlos Baptista Magalhães, formou-se uma pequena empresa que mais tarde viria a ser a Cia. Estrada de Ferro Araraquara (EFA). Dois anos mais tarde foi criado o Grupo Teatral do “Circolo Italiano” de Araraquara, sendo seus fundadores os senhores Henrique Lupo, João Lupo, Bonetti, Zerbini, Paulo Alimonda e Vicente Abramo, pai da atriz Lélia Abramo e do artista Lívio Abramo. Pouco depois, para não governar com um congresso hostil, Campos Salles deu início a Política dos Governadores. Era a força da oficialidade da Guarda Nacional no interior fazendo a diferença e dando sustentação ao regime. Em 1901, a população de Araraquara era de 28.900 habitantes, com aproximadamente 4 mil residentes no Núcleo urbano.

Revista Cidade

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